
Por: Sofia Esteves
Depois da pergunta sobre se dá para pedir aumento em tempos de crise, o questionamento que mais tenho visto por aí é “como faço para saber se meu salário está compatível com a média de mercado?”.
Bom, primeiro preciso dizer que a desaceleração da economia realmente encolheu os salários. Além disso, é importante explicar que eles estavam – até então – acima da média de outros países. Uma das razões para isso era a falta de profissionais qualificados. Porém, como agora há mais pessoas disponíveis no mercado, os salários estão atingindo patamares equivalentes aos internacionais. Voltando à normalidade, eu diria.
O mundo “lá fora”
Para ter mais parâmetros sobre a sua remuneração, uma das formas é buscar pesquisas de consultorias que fazem levantamento de cargos e salários. Elas ficam disponíveis (gratuitamente) no site dessas empresas. Também vale a pena conversar com um headhunter especialista em sua área de atuação. Vale ainda falar com colegas de área, que atuam em outras empresas, para balizar sua pesquisa.
O mundo “aqui dentro”
Há organizações que decidiram criar faixas salariais fixas que todos os colaboradores conhecem. Assim, todos acabam sabendo quanto o outro ganha e como será o seu salário quando forem promovidos. Mas essa prática ainda é pouco comum. De modo geral, os colaboradores não gostam de falar sobre isso e podem ficar constrangidos se você perguntar. Além disso, podem ser expostos se você usar a informação como referência para um pedido de aumento junto à chefia (o que não é, nem de longe, argumento para isso). Então, tome muito cuidado com essas pesquisas “internas”. Discrição e bom senso nunca são demais.
#ficaadica
Avaliar se está sendo bem remunerado não é uma ciência exata e vai bem além dos números. Ainda que tenha todas as possíveis referências que citei é preciso colocar outros fatores na balança, como benefícios, ambiente de trabalho, aprendizado, possibilidade de crescimento e ter uma visão bem honesta do seu nível de entrega e da sua qualificação.
Uma coisa que aconteceu bastante foi a reestruturação de equipes e a “promoção de profissionais”. Muitos receberam mais desafios sem necessariamente receber um aumento de salário. Se esse é o seu caso, siga em frente e considere um investimento na sua carreira permanecer nessa organização se: (I) seu trabalho estiver fazendo você se sentir realizado, (II) os valores dela estiverem alinhados com os seus e (III) se há possibilidade de reconhecimento no futuro.
O mesmo vale para quem recebe uma proposta de trabalho para receber menos – lembrando que, dependendo do quanto ganhava, dificilmente encontrará remuneração compatível porque as faixas salariais realmente diminuíram.
Neste momento, aqueles que arregaçarem as mangas e buscarem trabalhar para ajudar a companhia a se tornar mais eficiente, inovadora e ganhar novos mercados, com certeza será reconhecido – assim que isso for possível.
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