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14 de maio de 2026 - 12:12 - atualizado em 22 de maio de 2026 às 14:25

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Na concessão do Plano Safra 2025/2026, 63% das operações com grandes produtores já foram contratadas com garantia de alienação fiduciária

O Banco do Brasil avalia que o cenário para 2026 ficou mais desafiador do que o previsto no início do ano e, diante disso, vem adotando uma postura mais conservadora, especialmente no agronegócio, segmento que tem pressionado os seus resultados. A instituição afirma, porém, que espera melhora gradual nos próximos meses, ainda que em um ambiente de volatilidade.

O banco revisou para baixo sua projeção de lucro líquido ajustado para 2026, da faixa de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões, em meio ao aumento da inadimplência no agro, juros mais elevados e maior incerteza no cenário geopolítico. A instituição também vem reforçando garantias nas operações rurais, acelerando renegociações e adotando critérios mais seletivos na concessão de crédito para tentar reduzir os riscos da carteira.

“Hoje existem mais incertezas e desafios do que quando começou o ano”, afirmou o vice-presidente financeiro do BB, Geovanne Tobias, durante teleconferência com analistas. Segundo ele, a mudança no ambiente geopolítico, com o conflito entre Estados Unidos e Irã, e a expectativa de juros ainda em patamares elevados afetaram os modelos de risco do banco. “A ideia era terminar o ano com Selic em 12% e hoje esperamos 13,5%, o que afeta clientes e ambiente de risco, além de demandar maior prudência na gestão dos negócios.”

O resultado do primeiro trimestre refletiu o risco de crédito agravado. A principal preocupação segue sendo o agronegócio, diante do aumento da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial (RJ). Apenas no primeiro trimestre, houve 162 pedidos de RJ no setor, número considerado elevado para um período normalmente mais tranquilo por causa do recesso do Judiciário. Só no mês de abril, foram 61 pedidos de RJ.

Segundo Gilson Bittencourt, vice-presidente de agro do banco, o BB passou a reforçar as garantias nas operações para reduzir impactos futuros. Na concessão do Plano Safra 2025/2026, 63% das operações com grandes produtores já foram contratadas com garantia de alienação fiduciária. A ideia por trás disso é que, quanto mais o BB ampliar a alienação fiduciária, menos as recuperações judiciais vão afetar as operações do banco.

De acordo com Bittencourt, os créditos concedidos recentemente já seguem critérios mais rigorosos de análise, enquanto a inadimplência atual ainda reflete parte da carteira antiga. “A gente ainda vai ver, durante os próximos meses, algum nível de inadimplência [no agro], porque estamos olhando para uma carteira passada. Só que o impacto vai ser cada vez menor”, disse.

A nova matriz de resiliência do banco, para direcionar capital a clientes com melhor relação risco e retorno, deve surtir efeitos a partir do segundo semestre. Segundo Tobias, mais da metade dos vencimentos da carteira agro deve estar enquadrada nessa nova metodologia a partir de setembro.

Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas por parte dos produtores rurais, o banco destacou que a safra atual foi recorde. Bittencourt afirmou que o principal problema do setor foi um aperto no fluxo de caixa, o que levou à ampliação das renegociações de dívida rural.

Segundo Tobias, o BB concluiu as contratações do programa BB Regulariza Agro com quase R$ 38 bilhões renegociados, envolvendo 25 mil produtores. O banco também intensificou as ações de cobrança. “Já fizemos no primeiro trimestre metade das cobranças judiciais feitas em 2025”, disse.

Felipe Prince, vice-presidente de riscos do BB, afirmou que a revisão do “guidance” (projeções) reflete uma postura mais cautelosa do banco diante dos riscos econômicos e geopolíticos. O banco antecipou o “risco que está vindo”, o que explica o aumento das provisões, disse.

O BB também vê deterioração em parte da carteira de pessoa física, principalmente em cartão de crédito. “Em função desse cenário agregado, do efeito contaminação dos produtores rurais, as nossas avaliações indicam uma piora no desempenho dessa carteira”, afirmou Prince.

Ainda assim, os executivos afirmaram esperar recuperação gradual dos resultados do banco ao longo do ano. Tobias disse que o comportamento do agro agora parece mais próximo de uma recuperação em “W”, marcada por altos e baixos. “Lá atrás, a gente não sabia se seria uma recuperação em ‘U’, em ‘V’ ou, eventualmente, em ‘W’. Agora, está me parecendo recuperação em W.”

Segundo ele, o BB espera melhora dos resultados à frente. “Vou gerar, a partir do segundo trimestre, não mais R$ 3,4 bilhões de lucro, e sim algo no patamar de R$ 5 bilhões, de R$ 6 bilhões. Vai depender também muito de como vai ser essa recuperação.”

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