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28 de maio de 2026 - 17:12

Comprometimento-de-renda-das-familias-com-pagamento-de-dividas-sobe-para-quase-30percent-e-atinge-recorde-diz-bc-televendas-cobranca-1

Estatística considera o cálculo entre o valor médio estimado para o pagamento do serviço da dívida das famílias e a Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias (RNDBF)

Em meio a discussões no governo federal sobre iniciativas de renegociação de dívidas de pessoas físicas, o comprometimento de renda e o endividamento das famílias chegaram a patamares recordes, segundo o Banco Central (BC). As estatísticas referentes a fevereiro foram divulgadas pela autoridade monetária.

No caso do comprometimento de renda, que considera o valor médio para o pagamento da dívida no mês e a renda das famílias, o indicador chegou a 29,7%, renovando o recorde de 29,5% registrado em janeiro. É o maior patamar da série, iniciada em 2005. O indicador vem em trajetória de alta desde o início de 2024. Em fevereiro daquele ano, o comprometimento estava em 26,6% da renda e passou para 27,8% no mesmo mês de 2025.

Os indicadores de comprometimento de renda e endividamento da população têm chamado atenção do governo, que prepara um programa com foco na renegociação de dívidas. Conforme afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa deverá ser lançado nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O endividamento das famílias também seguiu em trajetória de alta ao atingir o patamar recorde em fevereiro, em 49,9%. O indicador considera o total de dívida das pessoas e divide pela renda anual. Em janeiro, estava em 49,8% da renda.

Jucelia Lisboa, economista e sócia da Siegen Consultoria, diz que o crescimento da renda não tem sido suficiente para absorver o encarecimento do custo de vida e dos serviços financeiros. Além disso, os juros elevados pressionam o orçamento familiar. Lisboa também destaca que a expansão do crédito é mais concentrada nas famílias e linhas voltadas ao consumo. “Esse movimento contribui para a sustentação da atividade econômica no curto prazo, mas amplia a sensibilidade das famílias a choques de renda e juros, tornando o endividamento mais persistente na ausência de melhora estrutural da capacidade de pagamento”, diz.

As estatísticas de crédito do BC mostraram, de forma mais ampla, que a taxa média de juros bancários continuou subindo. A taxa chegou a 33,1% ao ano em março deste ano, contra 32,9% no mês anterior. A alta foi concentrada nas modalidades de crédito direcionado, que foram impactadas pela elevação da Taxa de Longo Prazo (TLP) do BNDES, segundo o chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha. A TLP tem uma parte variável calculada pela inflação, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses passou de 3,81% em fevereiro para 4,14% em março.

“Isso [aumento da TLP] se traduziu diretamente no aumento das taxas de juros do crédito direcionado. Os spreads [diferença entre as taxa cobradas nos empréstimos e as taxas de captação] do crédito direcionado permaneceram estáveis”, disse Rocha. “Se a taxa de juros cresceu 0,7 ponto percentual e o spread variou zero, isso significa que o custo de captação também cresceu 0,7 ponto.”

Já a taxa de crescimento nominal do saldo do crédito em 12 meses, que estava em queda, teve variação para cima, de 9,6% para 9,7% entre fevereiro e março. Rocha, do BC, diz que é necessário esperar os dados dos próximos meses para verificar se há uma interrupção do movimento ou se a estabilidade foi pontual.

Em nota, o economista do ASA, Leonardo Costa, destacou o ritmo praticamente estável. Sobre o endividamento e comprometimento, Costa afirmou que ainda não há sinais de reversão do cenário. “Esse quadro segue sendo o principal fator de vulnerabilidade do ciclo de crédito no médio prazo”, diz

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