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20 de maio de 2026 - 17:12

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Movimento ocorre porque muitos clientes do agro concentram toda a sua vida financeira na instituição

A piora da inadimplência no agronegócio passou a atingir também a carteira de pessoa física do Banco do Brasil, de acordo com executivos da instituição financeira. Ao comentar o balanço do 1° trimestre deste ano, autoridades do banco apontaram que os produtores rurais com dificuldades financeiras também começaram a pressionar linhas de varejo, como cartão de crédito.

O movimento ocorre porque muitos clientes do agro concentram toda a sua vida financeira na instituição. Assim, os problemas de fluxo de caixa nas operações rurais acabam se refletindo também em compromissos pessoais.

“O efeito é de outras operações que esses clientes do agro têm, uma vez que eles mantêm a principalidade conosco”, afirmou Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Risco (CRO) do Banco do Brasil.

O executivo disse que o banco já identificou operações de pessoa física ligadas a clientes do agronegócio que apresentam maior risco de inadimplência. Embora essas dívidas ainda não tenham migrado, em sua maioria, para atrasos superiores a 90 dias, a instituição decidiu reforçar provisões preventivamente diante da expectativa de deterioração ao longo dos próximos meses.

“Muito embora elas ainda não tenham impactado o ECR 90 [atraso no pagamento de dívidas acima de 90 dia], acreditamos que parte dele vá atrasar e por isso nós reforçamos as provisões nesse portfólio”, disse Prince.

Cartão de crédito deve puxar inadimplência no 2º tri

O banco também relatou piora no comportamento de pagamento, principalmente nas operações de cartão de crédito, segmento considerado mais sensível ao cenário econômico atual. A expectativa da instituição é que esse avanço da inadimplência fique mais evidente no balanço do 2° trimestre de 2026.

“Observamos uma piora no comportamento, principalmente do nosso cliente de cartão de crédito. O cliente que tem menos resiliência ao cenário econômico”, afirmou o CRO. “Vai afetar a inadimplência, principalmente cartão de crédito no segundo tri de 2026″, acrescentou.

O aumento da percepção de risco já teve impacto relevante nos resultados do trimestre. O índice de inadimplência acima de 90 dias em carteira de crédito registrou uma alta de 3,63% para 5,05% nos primeiros três meses deste ano.

O banco apresentou um salto de 85,8% na na Provisões para Devedores Duvidos (PDD), valor destinado a cobrir o não pagamento dívidas dos clientes, que chegou a 18,9 bilhões de reais em março.

A deterioração da qualidade do crédito também pressionou a rentabilidade do banco. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) caiu para 7,3% no trimestre.

“Ele é muito fruto desse agravamento do risco, principalmente na carteira rural e também um pouco agora prudencialmente que fizemos na carteira de pessoa física”, afirmou Geovanne Tobias, vice-presidente financeiro do Banco do Brasil.

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