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Itaú vende R$ 2,2 bilhões em créditos podres de empresas

por: Afonso Bazolli
em: Cobrança
fonte: Valor Econômico
01 de fevereiro de 2016 - 18:08

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Por: Felipe Marques

O Itaú Unibanco vendeu um portfólio de R$ 2,2 bilhões em operações de crédito de empresas que estavam inadimplentes a um fundo especializado na compra desse tipo de ativos, apurou o Valor. A carteira tem cerca de 2 mil empresas devedoras e conta com operações que não são pagas há quase quatro anos.

A venda foi fechada poucos dias antes de o Itaú assumir o compromisso de comprar a fatia do BTG Pactual na Recovery, empresa especializada justamente em recuperar empréstimos dados como perdidos pelos bancos. A compra da Recovery foi anunciada em 31 de dezembro. A empresa de recuperação tem na pessoa física sua grande linha de atuação, mas também recupera dívidas de empresas.

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Embora o portfólio tenha um valor contábil de R$ 2,2 bilhões, o prêmio pago foi apenas uma fração disso, próximo a 3%. A operação atraiu ao menos 12 concorrentes, entre fundos locais e estrangeiros. Segundo o Valor apurou, quem acabou levando a carteira foi a Jive Investments.

Quem acompanhou o processo afirma que o banco controlado por Roberto Setubal passou mais de seis meses gestando a operação de venda de carteira de créditos podres, a primeira feita pelo Itaú desde o começo da década de 2000. Por isso, decidiu que não a interromperia quando surgiu a oportunidade de comprar a Recovery – transação fechada pelo banco em um curtíssimo espaço de tempo.

Procurado, o Itaú Unibanco afirmou que não comentaria o assunto por estar em período de silêncio. O banco divulga seus resultados na terça-feira.

Esta é a primeira vez que um banco privado nacional de grande porte faz uma venda de um portfólio significativo de crédito. No começo da década de 2000, o Itaú testou o mercado de venda de créditos podres, negociando portfólios a bancos estrangeiros como o Goldman Sachs. A experiência, porém, acabou em dor de cabeça para o banco, à medida que acabou gerando uma enxurrada de processos judiciais de devedores incomodados com a troca de seu credor.

De lá para cá, apenas o braço de atacado do banco, o Itaú BBA, havia feito operações pontuais de venda de créditos, em geral de um só nome ou de um grupo pequeno de devedores.

Além do grande número de devedores, a carteira vendida pelo Itaú tem mais de 100 tipos diferentes de produtos. Todas as operações já haviam sido baixadas para prejuízo, portanto a venda não afetará a taxa de inadimplência do banco.

Neste ano, no segundo semestre, o Itaú Unibanco tirou de seu portfólio R$ 1,08 bilhão referente a uma operação de crédito com um grupo econômico específico e que foi vendida para uma empresa ligada ao banco. A carteira não foi levada a mercado.

Quem acompanhou a venda acredita que, após a compra da Recovery, o Itaú não deve voltar a ofertar novas operações. A transação teria siso concebida pelo banco como um teste para a demanda e o preço que seus créditos podres conseguiriam no mercado. Só em 2014, o banco baixou para prejuízo pouco mais de R$ 18 bilhões em créditos.

O mercado de venda de carteiras de crédito podres teve um 2015 extremamente ativo. Além da operação do Itaú, grandes bancos como Caixa Econômica Federal e Santander voltaram a vender empréstimos inadimplentes no mercado.

De acordo com o balanço de 2015 do banco espanhol, foram vendidos no ano passado R$ 1,32 bilhão em operações de crédito “classificadas no nível de risco H”. Já a Caixa vendeu, até setembro, R$ 10,58 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão em créditos ativos e o restante já baixado a prejuízo, segundo seu balanço. Executivos que atuam em fundos que compram essas operações estimam que entre outubro e dezembro, o banco público teria ofertado algo em torno de R$ 3 bilhões a mais em créditos podres.

Uma das grandes operações de venda de carteira podre que estavam sendo negociadas no ano passado, porém, não foi para frente. O processo de venda de um portfólio de R$ 3,3 bilhões de crédito podre pela Emgea, empresa ligada ao Ministério da Fazenda que compra créditos da Caixa, acabou sendo interrompido pela empresa, afirmaram fundos que participaram do processo. A justificativa teria sido o preço oferecido pelos fundos.

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