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21 de abril de 2026 - 17:12

Agibank-tem-lucro-de-r-1047-bilho-em-2025-e-chega-a-67-milhes-de-clientes-televendas-cobranca-1

Resultado representa crescimento de 31,8%

O Agibank teve lucro líquido de R$ 214,9 milhões no quarto trimestre, com alta trimestral de 2,1% e anual de 9,2%. A receita totalizou R$ 2,959 bilhões, registrando expansão de 5,6% e 38,4%, nas mesmas bases de comparação. É o primeiro balanço divulgado pelo banco após o IPO na Nyse em 10 de fevereiro. Em 2025, a instituição teve lucro de R$ 1,047 bilhão, o que marca um crescimento de 31,8%.

A carteira de crédito do Agibank atingiu R$ 34,855 bilhões em dezembro, aumento de 1,1% no trimestre e 43,9% em um ano. A maior parte está em consignado INSS (R$ 25,184 bilhões), que teve expansão de 0,9% e 44,3%, respectivamente.

“Tivemos recorde em ativos, base de clientes, portfólio e superamos R$ 1 bilhão de lucro. Isso mostra claramente que nosso modelo de negócios, nossa tese, tem respaldo da execução”, diz ao Valor o fundador e CEO da holding, Marciano Testa.

As provisões para crédito de liquidação duvidosa atingiram R$ 2,413 bilhões no trimestre, com alta de 14,1% em três meses e 48,7% em um ano. A inadimplência subiu para 3,7%, de 2,6% e 3,0% um ano antes.

O diretor financeiro do Agibank, Marcello Dubeux, diz que a alta da inadimplência é reflexo da mudança de mix na carteira — o consignado privado, que vem ganhando espaço, tem mais risco — e também efeitos não-recorrentes das suspensões do INSS. “A inadimplência está sob controle e estruturalmente não vemos nenhum motivo para que não permaneça assim. Vemos o nível perto de 3,5% como um patamar de equilíbrio de longo prazo.”

Testa se disse animado com as perspectivas para o Agibank. Questionado se é possível manter a carteira crescendo no ritmo atual, ele lembrou que o banco não dá guidance, mas que está bem posicionado para atingir as projeções feitas por analistas de sell-side. O Citi, por exemplo, projeta uma expansão de 30% no portfólio, que terminaria este ano a R$ 45,019 bilhões.

“A suspensão do consignado INSS pegou o fim do ano passado e início deste ano, mas o ritmo de originação foi se normalizando e já voltou ao que era antes. Dentro das nossas estimativas internas, nosso desempenho para este ano está bem satisfatório”, acrescenta Dubeux.

Testa lembrou que o dinheiro levantado no IPO deve ser utilizado em três grandes verticais: expansão da base de clientes e do crédito; aportes em tecnologia, incluindo inteligência artificial; e crescimento da rede de atendimento, que hoje já tem 1.111 unidades, chamadas de “hubs”.

“Nos próximos 12 a 18 meses a IA vai nos levar para outro patamar. Sempre utilizamos tecnologia para atender os clientes, mas vamos ‘embedar’ a IA no nosso core, nos sistemas, usar modelos fundacionais de IA, para melhorar a experiência dos usuários e trazer ganhos de eficiência operacional para o negócio”, afirma o fundador. “Já temos casos em que o uso de agentes de IA no atendimento gerou um ganho de eficiência de 80% em relação ao atendimento humano. Isso pode levar a uma redução significativa do call-center”, acrescentou.

O Agibank chegou a 6,715 milhões de clientes ativos, com alta de 5,1% no trimestre e 72,9% em um ano. A rentabilidade (ROE) ficou em 35,8%, de 38,9% no terceiro trimestre e 44,4% no quarto trimestre do ano anterior.

A margem financeira do Agibank deve ficar mais ou menos estável este ano em torno do nível atual, de 12,5%, segundo Dubeux. Ele explicou que, por um lado, há uma mudança no mix da carteira, em direção a linhas com colateral e spreads menores. Por outro, a queda da Selic deve melhorar a margem no consignado do INSS, que é a principal linha do banco.

Dubeux admitiu que o teto de juros do consignado INSS também pode ser reduzido, acompanhando a Selic, mas disse que há uma diferença temporal e que o banco pode capturar benefícios desse movimento. “Outro fator que influencia a NIM [Margem de Juros Líquida] é que, no crédito sem colateral, temos trabalhado com clientes com ratings menores, porque nosso foco é no relacionamento de longo prazo. Mas acreditamos que a margem nos níveis atuais é saudável e sustentável”, comentou em teleconferência com analistas.

Os executivos lembraram que passaram por um amplo processo de auditoria e ajustaram processos, por isso não vislumbram nenhuma possibilidade de serem suspensos novamente do consignado INSS. “Não temos razão para acreditar em algum tipo de suspensão ou fricção com as autoridades”, disse o CFO.

No consignado privado, ele lembrou que o Agibank foi um dos primeiros a aderir à nova linha, mas depois ao longo do ano passado acabou adotando um postura um pouco mais cautelosa. Agora, está voltando a acelerar. “Temos uma abordagem mais realística, mas voltamos a crescer”.

A suspensão do Agibank do consignado INSS também afetou outras linhas do balanços. As despesas caíram, em função de custos variáveis, e as receitas de tarifas — especialmente de seguros – recuaram em função de um cross-sell menor. Ainda nas despesas, Dubeux explicou que houve um efeito não recorrente, em função da reversão de provisões para processos judiciais, após a companhia começar a utilizar inteligência artificial e ver que estava provisionando demais.

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