
No ano passado, houve alta de 33,4% na quantidade de estabelecimentos comerciais que adotaram a modalidade
Com maior maturidade do mercado e crescimento de dois dígitos no volume de transações com cartões, a antecipação de recebíveis avança no Brasil. Segundo dados da Núclea, que registra a maior parte dessas operações, o volume antecipado cresceu de 428,6 bilhões em 2024 para R$ 614,9 bilhões em 2025, o que representa um aumento de 43%.
Além do crescimento em volume, aumentou o número de empresas que recorrem à antecipação de recebíveis. Em 2025, houve alta de 33,4% na quantidade de estabelecimentos comerciais que adotaram a modalidade para transformar crédito futuro em recursos imediatos.
O registro de antecipação de recebíveis de cartões passou a ser feito em junho de 2021, após resolução do Banco Central do Brasil. “Agora, chegando a este quinto ano, a gente vê vários ‘players’ de mercado atingindo um elevado nível de maturidade, de saber como trabalhar com a garantia, saber como trabalhar nas diferentes modalidades de crédito”, avalia Cesar Kobayashi, superintendente executivo de recebíveis de cartões da Núclea.
Além do desenvolvimento do mercado, Kobayashi aponta como alavanca para o crescimento dos volumes um “maior nível de pressão” sobre operações de prazo mais longo, em um contexto de taxa Selic elevada. “Houve um certo nível de pressão em cima de operações de maior prazo, como por exemplo capital de giro, que usa a garantia de recebíveis de cartão de forma importante no varejo”, afirma.
Em 2025, houve alta de 33,4% na quantidade de estabelecimentos que adotaram a modalidade
“Isso favoreceu operações de menor prazo, seja no próprio capital de giro, com operações de até um ano crescendo em detrimento a operações de capital de giro maiores do que um ano, e naturalmente a antecipação, que é dinheiro ‘na veia’, ganhando protagonismo dentro desse contexto. As empresas, de maneira geral, precisando de mais dinheiro mais rápido”, acrescenta.
Ao mesmo tempo, o volume de transações com cartões continua crescendo a dois dígitos no país. No ano passado, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), foram movimentados R$ 3,1 trilhões em cartões de crédito, o que representa um avanço de 14,5%.
Para a Núclea, o ritmo de crescimento deve se manter nesse patamar à frente. “A gente acredita que tem espaço dentro dessa casa ainda de praticamente até dois dígitos, de forma consistente”, diz, acrescentando que as operações parceladas representam uma parcela significativa desse montante. “O perfil do parcelado sem juros do Brasil é um perfil extremamente resiliente.”
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