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26 de abril de 2026 - 12:12

Aperto-no-credito-dos-bancos-impulsiona-crescimento-dos-fidcs-no-brasil-televendas-cobranca-1

Apenas em janeiro de 2026, as emissões somaram R$ 7 bilhões, quase o dobro do registrado no mesmo mês de 2025. Enquanto isso, crédito nos bancos cresceu menos que esperado

Por anos, o crédito bancário foi a principal fonte de financiamento das empresas brasileiras. Em momentos de juros mais baixos e maior liquidez, o sistema financeiro tradicional cumpriu bem esse papel. Contudo, com juros na casa de dois dígitos já há anos e sem perspectivas de baixar, cresce o espaço para instrumentos do mercado de capitais, em especial os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que podem alcançar esse ano a marca de R$ 1 Trilhão em recursos. Ou seja, já superou e, com facilidade, o mercado de ações.

Relatórios recentes do Banco Central indicam que bancos vêm adotando menor tolerância ao risco e condições mais restritivas na concessão de crédito para empresas. Pesquisas com o setor produtivo confirmam essa percepção: levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostra que 80% das empresas apontam os juros como principal obstáculo para acessar crédito, enquanto cerca de um terço menciona a exigência de garantias como uma das principais barreiras.

Mesmo sem retração do estoque total de crédito, observa-se uma desaceleração relevante. Dados da Febraban indicam que a carteira total de crédito no país cresceu 9,4% em 2025, abaixo da expansão de 11,5% registrada em 2024, refletindo um ambiente de maior seletividade por parte dos bancos.

É nesse contexto que os FIDCs vêm se consolidando como uma alternativa cada vez mais relevante de financiamento para empresas. Esses fundos funcionam como veículos de securitização de recebíveis, transformando direitos de crédito, como duplicatas, contratos ou parcelas de vendas, em ativos financeiros negociados no mercado.

Os números mostram a velocidade dessa transformação. Em 2025, os FIDCs captaram R$ 90,8 bilhões em ofertas públicas, segundo dados da Anbima, um crescimento de 9,5% em relação ao ano anterior. Apenas em janeiro de 2026, as emissões somaram R$ 7 bilhões, quase o dobro do registrado no mesmo mês de 2025.

Mais do que o crescimento das emissões, o que chama atenção é a ampliação da base de investidores e da infraestrutura desse mercado. O número de contas de investidores em FIDCs praticamente dobrou em um ano, passando de 172 mil para 331 mil, enquanto o número de gestoras que administram esses fundos subiu de 372 para 426 entre o fim de 2024 e novembro de 2025.

O patrimônio total da indústria também ilustra essa expansão. No encerramento de 2025, os FIDCs somavam cerca de R$ 734 bilhões em patrimônio, superando os R$ 660 bilhões dos fundos de ações dentro da indústria brasileira de fundos de investimento. Ao mesmo tempo, a captação líquida desses veículos foi positiva em R$ 57,6 bilhões, enquanto os fundos de ações registraram saída líquida de mais de R$ 54 bilhões no período.

O avanço dos FIDCs reflete mudanças estruturais no financiamento das empresas. Tradicionalmente associados ao fomento mercantil e à antecipação de recebíveis, esses fundos passaram a atender uma gama muito mais ampla de setores, incluindo comércio, indústria, agronegócio, logística, entretenimento, serviços, entre outros. Empresas de diferentes portes têm utilizado o instrumento como forma de monetizar seus fluxos de caixa futuros e diversificar suas fontes de funding.

Há razões claras para esse movimento. Em comparação com o crédito bancário tradicional, operações estruturadas via FIDC tendem a oferecer maior velocidade de execução, estruturas mais flexíveis e menor dependência de garantias corporativas tradicionais, já que o risco é ancorado principalmente na qualidade dos recebíveis cedidos ao fundo.

Além disso, a evolução regulatória recente também contribuiu para fortalecer esse mercado. A modernização das regras dos fundos pela Comissão de Valores Mobiliários e ajustes regulatórios voltados à securitização ampliaram a segurança jurídica e facilitaram a estruturação de novas operações.

Não se trata de substituir o sistema bancário, mas de complementar suas funções. O que se observa é a consolidação de um modelo mais diversificado de financiamento empresarial, em que bancos e mercado de capitais coexistem e, muitas vezes, se complementam.

Ainda assim, o recado dos números é claro. Em tempos de crédito mais restrito nos bancos, os FIDCs vêm ocupando um espaço cada vez maior. Para muitas empresas brasileiras, eles deixaram de ser apenas uma alternativa e passaram a se tornar protagonistas no acesso ao crédito.

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