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Após caso Master, BRB perde quase 800 mil clientes em nove meses

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
31 de agosto de 2026 - 17:12

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Número de pessoas físicas e jurídicas com vínculo com o banco caiu de 9,8 milhões para 9,01 milhões entre o terceiro trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026

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O Banco de Brasília (BRB) perdeu 791,9 mil clientes bancários em nove meses, queda de 8,1% entre o terceiro trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026, segundo números levantados pelo Valor no Ranking de Reclamações do Banco Central (BC). No período, o número de pessoas físicas e jurídicas com vínculo com a instituição estatal do Distrito Federal caiu de 9,8 milhões para 9,01 milhões. O levantamento do BC considera o total de clientes informados pelas instituições em cadastros do sistema financeiro.

O balanço financeiro, dados como o número de agências bancárias e o de clientes precisam ser enviados periodicamente ao BC, que compartilha os números em sua página na internet. Com o escândalo do Master, o último balanço divulgado pelo BRB foi o do segundo trimestre de 2025. Antes de relatar a queda dos últimos nove meses, o BRB havia registrado um salto no número de clientes, de 7,96 milhões para 9,8 milhões de junho a setembro de 2025, um incremento de 1,85 milhão.

No seu relatório de administração do primeiro semestre de 2025, o banco disse que havia atingido a marca de 9,6 milhões em junho aquele ano, número que diverge dos dados do BC (que informa 7,96 milhões na mesma data). A autoridade monetária passou a contabilizar 9,8 milhões logo no trimestre seguinte – números que não foram atualizados no site do BRB pelo atraso na publicação do balanço. Segundo o banco, o crescimento de clientes em meados de 2025 se deve ao avanço no ambiente digital. O BC negou a compra do Master pelo BRB em setembro de 2025.

O BRB afirmou que a queda nos últimos nove meses decorre, dentre outros fatores, de “critérios de classificação e atualização de bases cadastrais adotadas pelo sistema financeiro”. Segundo nota encaminhada ao Valor, a instituição segue focada no relacionamento com seus clientes, na oferta de serviços financeiros e na execução de sua estratégia de negócios. O BRB segue tendo dificuldades em implementar o aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões aprovado em assembleia geral extraordinária (AGE) em abril.

O economista Cláudio Gonçalves dos Santos, professor dos cursos de pós-graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), disse que a queda do número de clientes e a demora da capitalização demonstram que o banco estatal está “sangrando” e perdendo credibilidade.

Ele critica o modelo de capitalização estudado pelo governo do DF e defende um formato no qual, em vez de transferir a conta ao contribuinte ou outros bancos, o BC poderia estruturar um mecanismo de conversão proporcional entre grandes credores da instituição. “O Estado não tem mais condição de ficar com esse banco. Precisaria de uma capitalização interna no primeiro momento, já com uma agenda de arrumar a casa para daqui a quatro ou cinco anos fazer uma venda”, diz.

“O Estado não tem mais condição de ficar com esse banco. Precisaria de uma capitalização interna no 1º momento”

— Cláudio G. Santos

Dados do BC também mostram que, no ranking de reclamações, a nota que os clientes dão para o BRB piorou. Os correntistas mais que dobraram o número de reclamações consideradas procedentes pelo BC – aquelas que foram analisadas no trimestre contendo indícios de descumprimento de lei ou regulamentação por parte da instituição. Foram 3.582 queixas registradas no segundo trimestre deste ano, contra 1.368 do mesmo período do ano passado. A principal queixa feita pelos consumidores é sobre irregularidades relacionadas ao Sistema de Informações de Crédito (SCR), com 946 no trimestre.

O BRB disse que acompanha permanentemente os indicadores de atendimento e as demandas registradas nos canais de relacionamento. Afirmou que os registros são decorrentes, em grande parte, de operações originadas em instituições posteriormente liquidadas pelo BC.

“Nesses casos, a atualização das informações depende do repasse de dados pelos liquidantes. O BRB já adotou as medidas cabíveis para regularização dos registros e segue acompanhando o tema junto às autoridades competentes”, declarou o banco estatal.

O BRB também reduziu o número de agências bancárias no país, segundo dados do BC. Hoje, são 63. De dezembro de 2024 a março de 2025, a instituição cortou de 107 para 86 o número de agências bancárias. Recuou para 64 em setembro do ano passado, quando a autoridade monetária rejeitou a operação entre a estatal e o banco de Daniel Vorcaro.

“A instituição realiza avaliações periódicas da rede física e dos canais de relacionamento, conforme prática de mercado, considerando a evolução do comportamento dos clientes e o uso crescente dos meios digitais”, declarou o BRB na nota.

Procurados, o BC e a Secretaria de Economia do Governo do Distrito Federal não se manifestaram.

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