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Após separar varejo, Citi quer crescer no México

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
21 de junho de 2026 - 12:12

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Banco vendeu 49% do segmento, que tem BTG entre acionistas, e prevê IPO no ano que vem

Depois de vender seu segmento de varejo no Brasil, hoje o Citi bate recordes com sua operação corporativa no país. É esse mesmo caminho, trilhado há quase dez anos por aqui, que a instituição deseja seguir no México. Lá, a separação entre o varejo e o segmento institucional foi finalizada em dezembro de 2024 e, após um período de ajustes, a operação para grandes empresas está pronta para voltar a crescer de forma mais acelerada.

Há anos o Citi vem saindo do varejo em vários países e a operação mexicana é uma das últimas que ainda precisa concluir esse processo de desinvestimento. O banco americano já havia vendido no fim do ano passado uma fatia de 25% no Banamex para o bilionário empresário mexicano Fernando Chico Pardo. Em fevereiro deste ano, vendeu mais 24% para um grupo de compradores formado por General Atlantic, Afora Sura, Chubb, fundos das gestoras Blackstone, Liberty Strategic Capital e Qatar Investment Authority (QIA), além do banco brasileiro BTG Pactual.

O Citi não abre a fatia de cada comprador, mas diz que nenhum deles supera 4,9%. O banco não prevê vender mais fatias este ano, “permitindo que o atual grupo de investidores tenha tempo para impulsionar a criação de valor”. E mantém os planos de fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em 2027. “A entrada desse grupo de investidores é um testemunho desse importante banco controlado pelo Citi e de que há apetite pelo México”, diz Luis Brossier, que assumiu o comando do Citi no México em março.

Atualmente, Citi e Banamex são duas instituições totalmente separadas e autônomas – o banco de varejo é comandado por Edgardo del Rincón. Ainda assim, ambas são consideradas sistemicamente importantes pelo Banco Central do México e o Citi é o sétimo maior banco do país em termos de ativos. Brossier explica que seu banco fez um acordo comercial com o Banamex para continuar oferecendo alguns serviços, como questões relacionadas a folha de pagamento, mas diz que a separação foi feita de maneira tranquila e agora já é uma página virada, permitindo que cada um foque no seu público-alvo.

“Nesse processo de separação estivemos muito perto dos clientes, aprendemos mais sobre como eles operam, foi algo positivo. Agora podemos mudar de marcha, iniciar um novo período de crescimento. O Brasil fez isso dez anos atrás, foi uma decisão acertada, e agora a operação está prosperando. Esperamos seguir o mesmo caminho. No ano passado tivemos um resultado recorde, com crescimento de 9%”, diz o executivo.

Assim como no Brasil e outros países onde atua, a estratégia do Citi no México é atender grandes empresas com operações internacionais, que podem se beneficiar da presença global do grupo. Brossier diz que a prateleira de produtos e serviços já é bastante completa e que as plataformas tecnológicas da operação estão todas atualizadas com o que há de mais moderno. Ele lembra que neste mês o Citi realizou sua reunião anual com investidores e estabeleceu metas ousadas de crescimento e rentabilidade. “O México se encaixa bem nessa estratégia. Temos escala, capital, equipe e apetite para crescer. Os desinvestimentos ficaram para trás e o motor está rodando com capacidade total.”

Sobre o cenário competitivo, o executivo aponta que o Citi disputa com grandes conglomerados que também têm operações de varejo. Já outros bancos americanos que operam no México são bem menores. No país, algumas fintechs locais têm prosperado e outras estrangeiras também vêm buscando conquistar uma fatia do mercado, mas se concentram basicamente no varejo, como é o caso de Mercado Livre, Nubank e Revolut. “Agora que separamos nossa operação de varejo, se abre uma oportunidade para atendermos outras instituições financeiras, que antes nos viam como um competidor. Queremos crescer nesse nicho, ter mais acesso, um diálogo estratégico com esses bancos.”

Em relação ao contexto macroeconômico, o México vive um compasso de espera, aguardando uma definição de como ficará o acordo de livre comércio que tem com Estados Unidos e Canadá, o USMCA. Os impactos da guerra do Irã na economia mexicana são avaliados por Brossier como marginalmente negativos, já que o país é importador líquido de petróleo e derivados. Entretanto, se o conflito se prolongar, pode haver outros desdobramentos, inclusive na inflação. “Fizemos algumas emissões grandes de bonds, temos visto muito fluxo para o México. O que gostaríamos de ver mais são novos projetos, alocação de capital, [que não estão tão altos] em função da incerteza sobre a revisão do USMCA. Estamos esperando isso ser resolvido para que a economia volte a crescer mais”, explica.

Brossier esteve recentemente no Brasil, para ajudar na emissão de uma debênture de R$ 3 bilhões da Claro, e diz que o México pode aprender com o setor financeiro brasileiro. Ele comenta que o Brasil está muito avançado no processo de digitalização de pagamentos, incluindo o Pix. “Se no México começarmos a ter mais soluções eletrônicas como o Pix, poderemos aplicar os usos que vocês fizeram no Brasil para atender clientes corporativos.”

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