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09 de março de 2026 - 17:12

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Expansão de mercados privados e crédito não bancário reduz visibilidade sobre riscos

Autoridades monetárias e reguladores financeiros estão tendo mais dificuldade para identificar riscos no sistema financeiro global devido à falta de dados sobre empresas e crédito fora do sistema bancário tradicional.

Segundo análise da Bloomberg, o crescimento dos mercados privados e do crédito fora dos bancos tem criado “zonas cegas” na economia, o que dificulta prever choques que possam provocar uma nova crise financeira.

O problema ficou mais visível em momentos recentes de paralisações e falhas na divulgação de indicadores oficiais. Em alguns períodos, bancos centrais ficaram temporariamente sem informações básicas sobre inflação, vendas no varejo e mercado de trabalho para ajustar a política monetária.

A falta de dados, no entanto, não se limita a esses episódios. Ela se estende a partes menos transparentes do sistema financeiro e pode afetar a estabilidade global.

Nos Estados Unidos, o número de empresas listadas em bolsa caiu mais de 50% em 20 anos, enquanto cresceu rapidamente o total de companhias avaliadas em mais de US$ 1 bilhão no mercado privado. Ao mesmo tempo, o avanço do crédito privado depois da crise financeira global reduziu sinais de alerta que antes vinham dos bancos, como dificuldades de empresas para pagar empréstimos — indicadores usados por reguladores para detectar riscos.

Expansão do crédito privado amplia dúvidas

Autoridades afirmam que as lacunas de dados tornam mais difícil identificar onde os riscos estão se acumulando. O Banco da Inglaterra informou que tem ampliado testes de estresse no sistema não bancário — que inclui private equity e crédito direto — para tentar identificar fragilidades que só apareceriam em momentos de crise.

A entrada crescente de recursos de fundos de pensão e de investidores de varejo em mercados privados tende a ampliar ainda mais o tamanho desses segmentos menos transparentes.

O receio é que, em um cenário de aperto financeiro, a falta de informações sobre nível de endividamento, valor dos ativos e formas de financiamento aumente o impacto de choques. Relatos de reguladores europeus apontam preocupação com estruturas de crédito complexas, avaliações pouco frequentes e supervisão fragmentada em mercados privados.

Os riscos também aparecem em estratégias muito alavancadas em mercados líquidos, como operações de hedge funds com títulos do Tesouro dos EUA e no mercado global de swaps cambiais, que movimenta trilhões de dólares por dia. Em episódios recentes de estresse, a dificuldade para desmontar posições forçou bancos centrais a intervir para estabilizar os mercados.

Nos EUA, o Federal Reserve já apontou que compromissos de crédito de bancos com financiadores não bancários cresceram mais de 50% entre 2019 e 2024, para US$ 2,2 trilhões, ampliando o risco de contágio entre os dois sistemas.

Casos de colapsos em instituições e veículos de investimento privados nos últimos anos reforçaram o alerta sobre o potencial de transmissão de choques para bancos e seguradoras. Executivos do setor financeiro também vêm apontando riscos em áreas menos reguladas, como a migração de seguradoras para ativos mais arriscados e menos líquidos em mercados privados.

Segundo a Bloomberg, outro foco de preocupação é o uso crescente de instrumentos como o PIK, que permite o pagamento de juros por meio de capitalização, adiando saídas de caixa. Reguladores temem que esse tipo de prática esconda problemas financeiros até fases mais avançadas do ciclo econômico, ampliando as perdas quando o ajuste ocorre.

A falta de dados também dificulta o mapeamento das conexões entre bancos e instituições não bancárias. O Banco Central Europeu reconheceu limitações para avaliar plenamente os riscos do setor não bancário por ausência de métricas importantes e de informações fora da zona do euro, o que complica análises sobre contágio e alavancagem entre sistemas.

Como resposta, bancos centrais e reguladores passaram a usar bases de dados alternativas e informações privadas para monitorar riscos em mercados fora dos bancos.

O Banco da Inglaterra vem investindo nesse tipo de base desde a pandemia para acompanhar o endividamento de empresas. Ainda assim, autoridades admitem que a falta de transparência continua elevada e que uma parte relevante dos riscos segue fora do radar.

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