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18 de agosto de 2026 - 17:12

Banco-do-brasil-tem-lucro-ajustado-de-r-3908-bi-no-2-trimestre-alta-de-33-pontos-percentuais-em-12-meses-televendas-cobranca-1

Resultado ficou acima das projeção de analistas consultados pelo Valor, de R$ 3,578 bilhões.

O Banco do Brasil teve um lucro um pouco acima do esperado no segundo trimestre, beneficiado pela expansão da margem financeira e uma leve queda nas provisões para devedores duvidosos. A inadimplência, no entanto, segue em alta forte e o banco provisionou um volume inferior aos novos empréstimos que entraram em atraso. Agora, o banco conta com os efeitos da medida provisória 1376, de renegociação de dívidas de produtos rurais afetados por eventos climáticos, para reduzir as provisões no agronegócio.

O BB registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,908 bilhões entre abril e junho, com alta trimestral de 13,9% e anual de 3,3%. O resultado ficou acima das projeção de analistas consultados pelo Valor, de R$ 3,578 bilhões.

A margem financeira bruta somou R$ 27,483 bilhões, praticamente estável (+0,2%) na comparação trimestral e 9,6% maior na anual. A carteira de crédito ampliada atingiu R$ 1,313 trilhão, com avanço de 0,6% no trimestre e de 1,4% em 12 meses. O custo do crédito ficou em R$ 18,477 bilhões, com queda de 2,1% no trimestre e alta de 16,1% em 12 meses.

“Os números apresentados hoje são fruto de uma execução estratégica consistente e reforço dos vetores de geração de valor. O resultado 13,9% maior sobre o trimestre anterior traz ainda a evolução da nossa margem financeira bruta, sustentada por um mix de crédito que tem uma melhor relação risco x retorno, pela diversificação das captações e pela boa alocação da nossa liquidez”, diz em nota a presidente do BB, Tarciana Medeiros.

O vice-presidente, Geovanne Tobias, afirmou que o resultado do trimestre ainda veio abaixo do que a instituição tem capacidade de gerar. Segundo o executivo, em dezembro, o banco começou a ver uma recuperação, porém, com os resultados do primeiro trimestre, percebeu que ela deveria ser em “W” em vez de “U” ou “V” — ou seja, com altos e baixos. “De fato, a tendência é a gente ter uma recuperação em ‘W’, tendo em vista que o lucro do trimestre de R$ 3,9 bilhões, o lucro ajustado já demonstra um crescimento de quase 14% comparado com o trimestre anterior. Eu acho que isso é um dado positivo, mas ele ainda vem agravado com o volume de provisões.”

A inadimplência encerrou o trimestre em 5,61%, ante 5,05% em março e 3,96% em junho do ano passado. Na carteira de pessoa física, a inadimplência acelerou para 8,41%, ante 6,82% no trimestre anterior e 5,59% um ano antes. Em empresas, o índice foi de 3,18%, ante 2,87% e 3,85%, respectivamente. Já no agronegócio, atingiu 6,27%, de 6,22% em março e 3,16% em junho de 2025.

Entre abril e junho, o BB provisionou apenas 86,9% dos novos créditos em atraso (NPL formation), ante 107,8% no trimestre anterior. Em pessoa física esse índice ficou em 65,9%, de 142,9% antes.

Segundo Tobias, as provisões devem diminuir no segundo semestre. “Os volumes de provisão serão menores, mas não vão reduzir pela metade, importante deixar isso claro. A gente acredita que vamos ficar na ‘range’ do ‘guidance’, provavelmente tocando o topo da ‘range’”, disse. A projeção (“guidance”) do BB para este ano de custo de crédito é entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões. No primeiro semestre, atingiu R$ 37,3 bilhões.

Sobre o aumento da inadimplência na carteira PF, Tobias disse que houve piora em linhas rotativas, em função do cenário macroeconômico de juro elevado, e também de uma maior participação do consignado privado, que é um produto novo e ainda enfrenta algumas dificuldades operacionais. “A gente está olhando, agora com mais cuidado, essa carteira pessoa física para esses créditos que não são colateralizados.”

Sobre o índice de capital principal do banco, o executivo afirmou que, apesar da queda, o patamar ainda é considerado positivo. O indicador recuou para 11,27%, de 11,59% no primeiro trimestre e 10,97% há um ano. Segundo ele, superadas algumas questões, como o período de maior pressão sobre as provisões e impactos de mudanças regulatórias, o índice de capital voltará a crescer.

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