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02 de agosto de 2026 - 12:11

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Instituição avalia que o valor, de R$ 210 bilhões, está adequado ao perfil de risco do ciclo, com previsão de El Niño forte e endividamento recorde

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O cenário de mais seletividade na concessão de crédito rural fez o Banco do Brasil reduzir pela segunda vez consecutiva a oferta de financiamentos aos produtores e à cadeia de valor do agronegócio. Em um ambiente de alto endividamento no campo, novas regras de provisionamentos bancários e perspectivas climáticas ruins para a safra 2026/27, a instituição anunciou na sexta-feira (3) R$ 210 bilhões em recursos para linhas e títulos, abaixo dos R$ 230 bilhões oferecidos no ciclo 2025/26.

Os valores ofertados ao setor já tinham recuado na temporada passada na comparação com a safra anterior (2024/25), quando o BB havia disponibilizado R$ 260 bilhões. Os recursos efetivamente desembolsados começaram a cair após a safra 2023/24, quando foram concedidos R$ 230 bilhões. Os resultados ficaram em R$ 225 bilhões (2024/25) e R$ 209 bilhões (2025/26).

A avaliação no banco é de que os valores ofertados agora são “adequados ao momento” e de que todo o setor financeiro está mais “seletivo”. A adequação acompanha o risco climático da safra, com a formação de um El Niño forte, e os níveis de endividamento e de alavancagem no campo, que seguem recorde.

Em entrevista na semana passada, antes do anúncio da oferta de recursos, o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, disse que o banco vai continuar como maior financiador do setor.

“Vamos continuar financiando o agro. Entendemos que o agro passa por ciclos, em alguns momentos melhora a renda, em outros momentos a renda fica mais apertada. O importante é continuar junto com os produtores, especialmente aqueles clientes que acreditam no banco. Para esses produtores, vamos continuar financiando”, afirmou.

Procurado, o BB enviou nota afirmando que o valor está em linha com o observado no ciclo 2025/2026, quando desembolsou R$ 209 bilhões ao setor. “Importante ressaltar que o volume inicialmente disponibilizado também reflete a própria demanda do setor, que está mais cauteloso na tomada dos créditos, em especial nos de investimento, visto que as margens dos produtores estão menores na comparação com ciclos anteriores”, disse na nota.

Ainda segundo o banco, o produtor vive “um ajuste de fluxo de caixa, resultado da soma de decisões tomadas e compromissos firmados em um ciclo anterior de preços elevados, da forte expansão dos investimentos quando os juros estavam mais baixos, de prorrogações de crédito de custeio em anos anteriores e do elevado custo dos arrendamentos, o que reduziu sua margem financeira. Entendemos que o produtor segue investindo, mas de forma mais estratégica, planejada e eficiente”, disse.

“O agro passa por ciclos. Em alguns momentos melhora a renda, em outros, fica mais apertada”

— Gilson Bittencourt

Informou ainda que em decorrência do aumento da inadimplência e do risco, aprimorou seus modelos de análise na concessão de crédito, com maior atenção ao fluxo de caixa, às garantias e ao histórico financeiro dos produtores.

Dado o ambiente financeiro e produtivo mais apertado, o banco considera a possibilidade de retração da carteira de crédito do agro em 2026. A projeção é que o saldo fique entre uma queda de 2% ou alta de 2%, enquanto em 2025 a carteira cresceu 9%. No primeiro trimestre deste ano, houve expansão de 3%, para R$ 418,4 bilhões.

O índice de inadimplência da carteira do BB bateu recorde em março deste ano, em 6,22%. Um ano antes era de 2,76%. São mais de R$ 26 bilhões em operações vencidas há mais de 90 dias sem pagamento e R$ 62,7 bilhões em parcelas prorrogadas. O saldo em provisão para possíveis perdas no crédito rural chegou a R$ 40,6 bilhões no primeiro trimestre, valor que fica reservado e gera aperto no caixa. Isso foi levado em conta para a projeção da safra 2026/27.

Estão no radar do banco também os desdobramentos da possível renegociação de dívidas rurais, seja por meio do projeto de lei 5.122/2023, em discussão na Câmara dos Deputados, ou por eventual medida provisória do governo. O valor ofertado para financiamentos, aliás, poderá ser “revisado” durante a safra 2026/27.

Isso aconteceu na temporada 2025/26. Dos R$ 230 bilhões anunciados, R$ 58 bilhões eram de recursos equalizáveis – que contam com a subvenção do Tesouro. Por conta de aplicações maiores de recursos de outras fontes, o BB devolveu parte desse saldo e houve remanejamentos, o que fez o valor de recursos com equalização cair para R$ 45,3 bilhões. Com isso, o saldo disponível foi reduzido para R$ 217,3 bilhões.

“O Banco do Brasil tem o agro no DNA e, ao lado dos produtores, contribui diretamente com o avanço tecnológico e social do campo, a geração de empregos e a segurança alimentar da população mundial. Temos orgulho em sermos o principal parceiro do agro brasileiro, na safra cheia e, sobretudo, nos ciclos mais difíceis”, disse Tarciana Medeiros, presidente do BB, em nota na sexta-feira.

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