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BB vê recuperação com ‘altos e baixos’

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
25 de maio de 2026 - 17:12

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Em reunião com investidores, executivos dizem que 2026 ainda tem desafios, sobretudo no primeiro semestre, com desempenho da carteira de agronegócio

O Banco do Brasil (BB) deixou claro nesta quinta-feira (23), em sua reunião anual com investidores, que 2026 ainda será um ano difícil. O primeiro semestre, especialmente, deve ser pressionado pelo desempenho do agronegócio e, assim, a recuperação dos resultados da instituição financeira provavelmente terá altos e baixos.

As declarações dos executivos acabaram pesando sobre as ações do BB. Os papéis caíram 1,71% na sessão, para R$ 23.

A presidente do BB, Tarciana Medeiros, disse que este será um ano de reestruturação e retomada de crescimento. Segundo ela, o foco é a sustentabilidade de longo prazo, e não os resultados de curto prazo. A expectativa, disse, é de um primeiro trimestre com resultados ainda “apertados”, mas mostrando melhoria ao longo do ano.

“Falando de forma muito transparente, acho que vocês perceberam durante todas as falas [do evento], que 2026 para nós será um ano de reestruturação, de retomada de crescimento. Não vai ser um ano fácil”, afirmou. “O que importa de fato não é o resultado a cada trimestre, mas se o banco hoje está mais preparado para o futuro do que há três anos. E está, sim.”

O ponto central para a recuperação dos resultados do BB é o agro. O banco abriu alguns dados aos analistas em uma tentativa de ser mais transparente. Abriu, por exemplo, o fluxo de vencimentos de créditos ao produtor rural neste ano, que é concentrado entre abril e setembro, com um pico de R$ 19,9 bilhões em julho. Mas também trouxe comparativos com o ano passado. No crédito ao custeio, neste ano o pico de vencimento está em julho, com 13,5% do total, enquanto em 2025 o pico foi no mesmo mês, mas de 16,1%. Se no ano passado o milho e a soja — cultivos mais problemáticos — eram 57% do crédito para custeio, este ano caíram para 34%.

O BB anunciou que renegociou R$ 36,5 bilhões no âmbito da medida provisória (MP) 1.314, que ajudou produtores afetados por eventos climáticos. Desse total, apenas 2,5% vencem em 2026. O problema, segundo analistas, está na carteira prorrogada do agro, de R$ 64,5 bilhões, sendo que 36% vencem neste ano.

O vice-presidente financeiro do BB, Geovanne Tobias, afirmou que acredita na capacidade da instituição de gerar resultado no médio e longo prazo. Para isso, é necessária a recuperação do agro, que o executivo imagina que não se dará de uma só vez. “Ainda estamos observando o comportamento de como as renegociações dentro do agro vão performar, a nova safra que vai ser colhida, se essa recuperação tende a ser uma recuperação em ‘U’ ou em ‘W’. A gente ainda não sabe. Suspeito que talvez seja mais uma recuperação em W”, disse, sinalizando que pode haver altos e baixos.

De acordo com Medeiros, o formato dessa retomada afeta os resultados do banco como um todo, que tendem devem seguir o “W”. Nesse caso, também são esperados “altos e baixos”, disse. Porém, a executiva disse que a qualidade dos ativos deve se recuperar em “U”, ou seja, com uma curva ascendente mais clara.

“O Gilson [Bittencourt, vice-presidente de agro do BB] trouxe muito bem. Este ano é de El Niño. Vai haver lugares onde a produtividade vai ser muito maior do que estava previsto, e onde a produtividade vai ser menor. Por si só, a inconstância e a incerteza em relação a como essa produtividade acontece no país, traz para nós um gráfico em W”, afirmou Medeiros a jornalistas. Questionada se o efeito da guerra no Irã poderia mudar esse ritmo de recuperação, a presidente do BB não respondeu.

Já quando perguntada sobre se os resultados do primeiro trimestre podem vir abaixo do esperado e se há risco de o BB não cumprir o “guidance” deste ano, como alguns analistas começam a apontar, ela disse que isso é pura especulação. “A gente está em abril, nem divulgamos o resultado do primeiro trimestre ainda. Depois disso, lá em maio, aí a gente tem condição de falar algo mais. Mas neste momento a nossa previsão é de cumprimento do guidance que a gente declarou ao mercado.”

Bittencourt disse que, na carteira de agro, o índice de clientes que pagem em dia, neste ano deve ficar em 95%, acima dos 92% do ano passado. “Olhando os dados, numa perspectiva apenas dos primeiros 15 dias de abril, a gente já tem um resultado bem mais significativo em relação à adimplência”, afirmou.

Dos créditos que vencem neste mês, segundo o executivo, mais de 80% são operações contratadas em abril, maio e junho de 2025, ou seja, apenas uma pequena parte foi financiada depois de julho, quando o banco avançou em ajustes, deixando de usar penhor de safra e passando a priorizar garantias como alienação fiduciária. “A partir do momento, inclusive, em que o banco avançou na sua matriz de resiliência, melhorou bastante o seu processo de garantia.”

O executivo destacou a evolução das garantias na carteira de agronegócio. Na safra de 2024/2025, havia 31% de garantia real no caso dos financiamentos, fatia que subiu para 68% em 2025/2026. A alienação fiduciária passou de 3% para 63%.

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