Oct
26

Bradesco lucra R$ 7,1 bilhões, mas vê cenário com desafios

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
25 de outubro de 2026 - 12:12

Bradesco-tem-lucro-recorrente-de-r-7109-bi-no-3-tri-com-alta-de-08-pontos-percentuais-no-trimestre-e-146-em-12-meses-televendas-cobranca-1

Inadimplência sobe e banco cita pressão no agro e linhas com garantia do governo

O Bradesco se manteve em trajetória de recuperação e registrou lucro recorde no terceiro trimestre. Porém, o crédito desacelerou, em especial para pessoa física, e a inadimplência subiu, o que leva o banco da Cidade de Deus a descrever um cenário mais desafiador e a reforçar o controle de despesas para conseguir atingir suas metas.

A instituição registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,109 bilhões entre julho e setembro, alta de 0,8% na comparação trimestral e 14,6% em relação a igual período do ano passado. O ganho ficou em linha com as previsões dos analistas consultados pelo Valor, de R$ 7,124 bilhões.

A margem financeira bruta atingiu R$ 21,372 bilhões, com alta de 2,4% em relação ao segundo trimestre de 14,2% na comparação interanual. A margem com clientes, indicativa das operações de crédito, foi de R$ 20,497 bilhões, com altas de 1,5% e 10,1%, respectivamente. A taxa média foi de 8,9%, de 9,1% e 9%, nesta ordem. As despesas com provisões para devedores duvidosos somaram R$ 10,642 bilhões, com altas de 6,6% e 24,3%, o que reflete o ambiente mais difícil no crédito.

Em nota, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que o mercado de crédito está mais restrito e que o cenário é desafiador para todos. “Vimos nossas receitas relacionadas a crédito crescerem menos, mas conseguimos compensá-las com receitas não oriundas de crédito e bom controle de despesas”, disse. “Apresentamos mais uma vez boa tração comercial e boa gestão de risco, que nos levaram a priorizar ainda mais o crédito com colateral, clientes com bons ratings e receitas não oriundas de crédito.”

A carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,150 trilhão, com alta de 1,1% no trimestre e 11,1% na comparação anual. Apesar de uma leve desaceleração na passagem de junho para setembro, ainda está acima da projeção (“guidance”) do banco para este ano, que vai de alta 8,5% a 10,5%. A carteira de pessoa física atingiu R$ 484,9 bilhões, com altas de 1,1% e 7,4%. É pelo menos o quarto trimestre consecutivo de desaceleração e um ritmo que é quase metade do registrado um ano atrás, quando crescia a uma taxa anual de 13,8%.

Em pessoas jurídicas, a carteira somou R$ 664,7 bilhões, com alta trimestral de 1,2% e anual de 14,1%, mas há diferenças dentro desse grupo. Em micro, pequenas e médias (MPMEs) houve desaceleração para um crescimento anual de 13%, enquanto em grandes empresas o ritmo acelerou para 14,8%. “A carteira de crédito continua crescendo com apetite moderado na originação, concentrada em produtos com colateral e boa rentabilidade”, disse o banco no balanço.

O índice de inadimplência subiu para 4,6% em setembro, de 4,3% em junho e 4,1% em setembro ano passado. Em pessoas físicas, a inadimplência passou para 5,8%, de 5,5% e 5,4%, respectivamente. Em grandes empresas, ficou em 0,3%, de 0,2% e 0,4%. E em MPMEs foi de 4,9%, de 4,4% e 3,7%.

O Bradesco disse que a inadimplência subiu “principalmente por conta das linhas de capital de giro para MPME com garantia de recursos do governo federal e da carteira rural, com maior impacto em pessoas físicas”. O impacto do capital de giro com FGI/FGO (fundos públicos) foi de 0,14 ponto percentual na inadimplência entre junho e setembro, mas essas linhas têm garantias que podem ser executadas após período de carência. Enquanto isso, a carteira do Banco John Deere — subsidiária voltada ao agro — colaborou com outros 0,09 ponto. “O ambiente macroeconômico desafiador segue pressionando as operações massificadas.”

O índice de cobertura caiu para 142,6%, de 152,3% no segundo trimestre e 168,9% no terceiro trimestre do ano passado.

O retorno sobre patrimônio (ROE, na sigla em inglês) atingiu 15,6%, ante 16,2% no segundo trimestre e 14,7% no terceiro de 2025. A queda se deve ao aumento de capital de R$ 10 bilhões concluído recentemente pelo Bradesco. Segundo Noronha, o aporte mostra confiança dos acionistas e deixa o banco mais preparado. “Bem capitalizados, estamos ainda mais fortes para continuar a investir na nossa transformação, almejando ganhos de competitividade e maior satisfação dos nossos clientes. [...] A operação está bem azeitada, superando dia a dia os desafios que se apresentam”, afirmou.

CADASTRE-SE no Blog Televendas & Cobrança e receba semanalmente por e-mail nosso Newsletter com os principais artigos, vagas, notícias do mercado, além de concorrer a prêmios mensais.

» Conheça os colaboradores que fazem o Blog Televendas e Cobrança.

Gostou deste artigo? Compartilhe!

Escreva um comentário:

[fechar]
Receba as nossas novidades por e-mail:
Cadastre-se agora e receba em seu e-mail:
  • Notícias e novidades do segmento de contact center;
  • Vagas em aberto das principais empresas de Atendimento ao Cliente;
  • Artigos exclusivos sobre Televendas & Cobrança assinados pelos principais executivos do mercado;
  • Promoções, Sorteios e muito mais.
Preencha o campo abaixo e fique por dentro das novidades: