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03 de agosto de 2026 - 17:12

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Em um cenário com expectativa de juros elevados por mais tempo, analistas do UBS BB veem bancos incumbentes do País mais bem preparados para cenário de maior inadimplência

Um estudo do UBS BB aponta o Brasil como o país com a pior dinâmica de crédito entre os principais mercados da América Latina. Os analistas identificam deterioração simultânea no crédito a famílias e no segmento corporativo — e destacam que o custo de risco dos bancos brasileiros já é “materialmente mais alto” do que o de seus pares na região.

O levantamento avaliou a qualidade dos ativos de bancos do México, Peru, Colômbia, Chile e Brasil — único país, segundo o relatório, em que a piora ocorre de forma simultânea entre pessoas físicas e empresas.

Embora o banco veja sinais de deterioração no México, o país tem mantido um nível controlado de empréstimos não performados, assim como o Chile. Já Peru e Colômbia apresentam tendência positiva, com queda consistente nas taxas de inadimplência desde 2023.

O relatório ancora o diagnóstico brasileiro em dados do Serasa Experian e do Banco Central. São 83,5 milhões de pessoas negativadas no país — e o endividamento das famílias atingiu cerca de 30% da renda, o maior nível da série histórica.

A tendência à frente tampouco é animadora. Com a expectativa de que a Selic se mantenha alta por mais tempo, o custo do crédito pressiona simultaneamente famílias já endividadas e empresas que precisam rolar suas dívidas.

Com exceção do Chile, onde a alavancagem passa pelo crédito hipotecário, o Brasil é o país mais endividado entre as economias da região, com 54,4% de crédito em relação ao PIB. No México, essa relação é de 23%; no Peru, de 31,7%; e, na Colômbia, de 49,5%.

Quanto maior o estoque de crédito na economia, maior o impacto de um ciclo prolongado de juros altos sobre a inadimplência. Mas a tempestade que se forma no mercado de crédito não deverá molhar todos os bancos por igual.

De acordo com o UBS BB, os incumbentes Itaú, Bradesco e Santander Brasil conseguiram manter tendências “relativamente positivas”, sem aumento relevante no custo de risco. Do outro lado, os analistas veem os novos entrantes sentindo mais pressão, ressaltando o aumento de 74% das provisões do Nubank no primeiro trimestre e a deterioração de “quase todos os seus indicadores” no Inter.

O Nubank, inclusive, encerrou o primeiro trimestre com o custo de risco mais alto de toda a cobertura latino-americana do UBS BB, chegando a 19,2%. “O custo de risco no Brasil está materialmente alto”, afirmam os analistas.

Do lado dos incumbentes, o UBS BB destacou a manutenção de tendências relativamente positivas, sem aumento relevante no custo de risco, o que é explicado pelo mix de clientes e produtos.

Para os próximos trimestres, os analistas veem uma tendência “mais benigna” para Itaú, Bradesco e Santander Brasil. O Itaú é o que tem o menor NPL do grupo, de 1,9%, seguido pelo Santander Brasil, com 3,3%, e pelo Bradesco, com 4,2%.

Na bolsa, contraintuição

O Itaú, porém, é o único dos três incumbentes para o qual os analistas têm recomendação neutra. Um dos principais motivos é o preço, uma vez que as ações do banco são negociadas a 2,2 vezes o valor patrimonial, acima de seus concorrentes.

Para o Bradesco e o Santander Brasil, que negociam a múltiplos mais baixos, o UBS BB vê um upside de 34% e 64%, respectivamente, contra apenas 8% para as ações do Itaú.

O potencial de alta do Santander, inclusive, só perde para o do Inter na avaliação do UBS BB, que projeta um preço-alvo de US$ 9,40 para as ações do banco, 68% acima do patamar atual. Os papéis do Inter acumulam queda de 34% no ano e, segundo os analistas, já precificam a deterioração da carteira, o que representaria uma oportunidade de compra.

O UBS BB também tem recomendação favorável para as ações do Nubank, com preço-alvo que implica um upside de 24%. Apesar do alto custo de risco, os analistas esperam um impacto positivo nos próximos balanços do Nu devido ao Novo Desenrola.

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