
BSec, que até 2016 funcionou apenas para transações internas, se tornará independente
Diante do forte crescimento do mercado de crédito privado nos últimos cinco anos, o BTG Pactual resolveu atuar em uma nova frente. O banco relançará nos próximos dias a BSec, sua plataforma de securitização que entre 2000 e 2016 funcionou exclusivamente para transações feitas internamente. Agora, a empresa passará a operar de forma independente e a oferecer ao mercado em geral serviços de estruturação e emissão de operações em diferentes classes, incluindo Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), de Recebíveis (CRs) e debêntures securitizadas.
Segundo Cesar Ribeiro, sócio responsável pela securitizadora, a BSec passou por uma reformulação de marca, além de receber investimentos em sistemas e equipe. Ele afirma que o segmento vive um momento importante de expansão e sofisticação. Dados da Anbima mostram que, só em 2025, as emissões de CRIs, CRAs, debêntures de securitização, CRs e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) chegaram a R$ 242 bilhões.
“O mercado demanda cada vez mais estruturas especializadas, capazes de conectar originadores e investidores de forma eficiente e segura. Nosso objetivo é ser uma plataforma de referência e líder de mercado”, diz. Desde que foi criada, a empresa participou de operações que somaram mais de R$ 160 bilhões em volume transacionado. De 2016 para cá, sem novas emissões, vinha administrando cerca de R$ 15 bilhões.
A empresa atuará em securitização, escrituração (renda fixa, renda variável e fundos), banco liquidante, agente fiduciário as a service (AFaaS), relações com investidores as a service (RIaaS) e administração e custódia de FIDCs. De acordo com o banco de investimentos, o maior da América Latina, a BSec terá governança própria e segregação integral de informações em relação às demais áreas do BTG.
Após o boom do crédito privado, a securitização está entre os segmentos que ainda não se desenvolveram na mesma velocidade. No ano passado, o setor foi afetado por denúncias de desvios por parte da Virgo, que era a segunda maior em emissões de CRAs e CRIs do país, conforme levantamento da Quantum. Investigações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontaram uso indevido de ao menos R$ 216 milhões que deveriam estar protegidos em fundos de reserva, mas o processo sancionador ainda não foi julgado pelo colegiado. A Virgo acabou sendo comprada em outubro pela Riza Sec, numa solução de mercado para restaurar a credibilidade.
Segundo dados da Uqbar, consultoria especializada em estruturados, em 2025 a primeira do ranking de emissões de CRIs foi a Opea, com R$ 24,11 bilhões. A securitizadora adquiriu outras duas em 2024, a True e a Maximus, e ampliou a distância para o segundo lugar. Em seguida no ranking do ano passado veio a Riza, com R$ 5,01 bilhões. A Vert ocupou a terceira posição, com R$ 4,52 bilhões; a Província, o quarto, com R$ 4,36 bilhões; a Travessia, o quinto, com R$ 1,7 bilhão; e a Canal, o sexto, com R$ 1,65 bilhão.
O marco legal do setor, instituído em agosto de 2022, unificou as regras e permitiu que qualquer tipo de direito creditório fosse transformado em títulos negociáveis. Também criou o conceito de regime fiduciário e patrimônio separado, para que ativos lastreados a uma emissão fiquem protegidos caso a securitizadora vá à falência.
CADASTRE-SE no Blog Televendas & Cobrança e receba semanalmente por e-mail nosso Newsletter com os principais artigos, vagas, notícias do mercado, além de concorrer a prêmios mensais.