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Casas Bahia recorreu aos FIDCS para alavancar seu crediário

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
29 de setembro de 2026 - 17:12

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A Casas Bahia informou na petição inicial do seu pedido de recuperação judicial, apresentado dia 16, endividamento bancário de R$ 7,03 bilhões e R$ 2,016 bilhões em obrigações relacionadas a cotas seniores de FIDCs. Informou também a existência de contratos financeiros e comerciais somando mais de R$ 10 bilhões, e que contêm cláusulas que poderiam permitir o vencimento antecipado das dívidas em situações como o pedido de recuperação.

Esse foi um dos motivos alegados para a urgência da proteção judicial, já que a pressão de credores crescia.

A companhia começou a recorrer à estruturação de fundos em direito creditório para funcionar como alavanca para seu crediário, o seu famoso carnê ao consumidor, no fim de 2023, mas ainda avançou em 2024 em fase de testes.

No passado, o crediário da Casas Bahia era financiado por linhas com um grupo pequeno de bancos, principalmente Bradesco e Banco do Brasil, e com a restrição nas linhas, os juros altos e a recuperação extrajudicial da rede em 2024, os recursos minguaram.

A rede anunciou a estruturação de um FIDC próprio para o crediário, e a partir daí bancos e gestoras passaram a oferecer mais opções de FDIC para o grupo, que também precisava buscar alternativas para voltar a crescer num ambiente de vendas fracas em lojas físicas.

Em setembro de 2025, a Casas Bahia estruturou o GCB Fornecedores Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Comerciais, voltado à cadeia de suprimentos da rede, com foco em administrar operações de risco sacado da varejista e financiar a empresa.

Antes disso, um FIDC do crediário começou a operar em fevereiro de 2025, com R$ 300 milhões, e o GCB Fornecedores FIDC, ligado à cadeia de fornecedores, captou R$ 755 milhões em duas emissões entre 2025 e março de 2026.

Petição inicial indica R$ 2,016 bilhões em obrigações relacionadas a cotas seniores de FIDCs

No cenário atual, o Valor apurou que a Casas Bahia ainda busca a entrada de R$ 400 milhões no caixa da empresa, numa negociação junto ao Bradesco, para liquidez imediata na rede.

Neste momento, a Casas Bahia deve ainda avançar na troca de dados junto a um perito designado pela Justiça para que, depois disso, o Juízo possa analisar o pedido de recuperação, ainda não deferido.

A atual crise vivida pela empresa tem origem no cenário de restrição de liquidez recente, que limitou acesso da rede a capital – em transações em andamento que acabaram não evoluindo -, mas analistas entendem que houve um desgaste da imagem da empresa no mercado, ao longo das duas últimas gestões, que afetou o negócio.

Contínuas trocas de diretoria e tomadas de decisões estratégicas no conselho de administração que não surtiram efeito são fatores lembrados por investidores como pontos negativos. Dois anos após a recuperação extrajudicial, de 2024, que renegociou R$ 4,1 bilhões com bancos credores (Bradesco e Banco do Brasil), a empresa entrou com pedido judicial neste mês e voltou com mais R$ 7 bilhões de passivos com bancos, além de R$ 10 bilhões de outras dívidas.

Boa parte refere-se a valores com fornecedores (R$ 9 bilhões), sendo que mais de 90% de todo o passivo são débitos sem garantia.

A empresa teve duas administrações, de Roberto Fulcherberguer e Renato Franklin, atual CEO, depois que a rede foi vendida em 2019 para um pool de fundos e para Michael Klein, que hoje é sócio com 2% da rede e não participa mais da gestão. Klein saiu do “board” há anos, após desentendimentos com o filho e membro do conselho, Raphael Klein. Não há varejistas oriundos da atividade comercial no conselho e o controlador é uma gestora de recursos, a Mapa Capital com 82% da rede.

Para consultores, a falta de um plano de virada nos resultados (veja tabela acima), ao longo do tempo, depois que a empresa foi vendida pelo Casino a Klein, em 2019, afetou a confiança em relação ao negócio entre bancos, investidores e gestoras. Esse cenário elevou a percepção de risco da varejista com o passar dos anos, e tornou mais complexo o seu trabalho de retomada nos negócios e seu acesso a alternativas de capital mais barato.

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