
Historicamente dominado pelo Banco do Nordeste (BNB), esse segmento viu a consolidação do Santander, a expansão do Itaú e algumas idas e vindas da Caixa nos últimos anos
A digitalização intensificada pela pandemia e uma flexibilização adotada em 2021 que facilitou a contratação de agentes autônomos despertaram o interesse de mais bancos pelo microcrédito. Historicamente dominado pelo Banco do Nordeste (BNB), esse segmento viu a consolidação do Santander, a expansão do Itaú Unibanco e algumas idas e vindas da Caixa nos últimos anos.
O microcrédito teve seu auge em setembro de 2022, quando atingiu R$ 12,4 bilhões, impulsionado pela explosão de demanda durante a crise da covid-19. Depois disso, o produto refluiu e encolheu para R$ 7 bilhões em abril de 2024. Agora, vem crescendo gradualmente e hoje está em R$ 9,2 bilhões.
Microcrédito não é um empréstimo de baixo valor. O conceito envolve uma série de fatores, principalmente a proximidade com o cliente e a concessão de garantias. Pelas regras do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), os bancos devem aplicar 2% dos depósitos à vista em operações da modalidade.
Grande parte das instituições não cumpre essa meta e acaba repassando suas cotas para outros bancos ou deixando o recurso parado no BC. Nos últimos anos, no entanto, a flexibilização de regras atraiu novos competidores. Uma das mudanças foi a criação do agente autônomo de crédito, com o intuito de desburocrtizar a contratação do representante que faz o acompanhamento in loco.
Alexandre Borin, diretor da área de crédito do Itaú, diz que o banco já tem uma participação de mercado de 16,4%, ante cerca de 2% em 2021. Ele não detalha o tamanho da carteira, mas afirma que são cerca de 350 mil microempreendedores. “Operamos no microcrédito há algum tempo, mas existia um desafio de necessidade de capilaridade muito grande. Com a mudança que criou o agente autônomo de crédito, vimos que dava para ter uma boa distribuição. Criamos um produto simples, conectado com a digitalização do banco”, diz.
Segundo ele, avanços nos modelos de crédito do banco nos últimos anos também ajudaram, já que esse público muitas vezes não tem comprovante de renda e alguns anos atrás a falta de dados dificultava uma análise mais precisa.
No Santander, o diretor sênior do programa Prospera, Fernando da Hora, afirma que a carteira de microcrédito do banco é de cerca de R$ 3,8 bilhões, com 1,2 milhão de clientes ativos, e que nos últimos anos teve um crescimento anual entre 10% e 15%. Segundo ele, o banco atua por meio de correspondentes bancários, com uma equipe de 1,8 mil pessoas, mas avalia a possibilidade de adotar o modelo de agentes autônomos. “É um tema complexo, mas em algum momento vamos ver de que forma podemos endereçar esse assunto.”
Segundo Hora, como no PNMPO existe um teto de juros, hoje em 4% ao mês, é preciso ter uma matriz de custos eficiente e inadimplência adequada. “A inadimplência dessa linha tem altos e baixos. Ela está controlada, mas não é pequena. Alguns bancos entraram e saíram do microcrédito justamente por não conseguirem controlar a inadimplência”, afirma.
Em 2022, governo e a Caixa lançaram o Programa de Simplificação do Microcrédito Digital para Empreendedores (SIM Digital), que apesar do nome não tinha as características essenciais do microcrédito. O então presidente do banco, Pedro Guimarães, chegou a viajar para Bangladesh, Quênia e outros países para estudar os modelos adotados por lá.
Já sob a gestão de Carlos Vieira, o banco lançou em 2024 um novo modelo de negócios de microcrédito, batizado de “Conquista + Caixa”, que permite a operacionalização de linhas de microcrédito urbano e rural com variadas fontes de recursos. Hoje, o saldo da carteira de microcrédito é de R$ 1,3 bilhão. No ano passado foi destinado R$ 1 bilhão para o segmento. Já em 2026, a instituição pretende liberar mais R$ 3 bilhões. O tíquete médio gira em torno de R$ 11 mil.
Vieira aponta que o desafio hoje é tornar o crédito capilarizado e universal, como ocorre na Índia. “Mas acredito que em pouco tempo superaremos as questões da distribuição dessa forma de crédito, principalmente pelo uso de tecnologia”, diz. Em fevereiro, a instituição lançou o projeto-piloto de microcrédito no âmbito do programa Acredita no Primeiro Passo, do governo federal. A nova modalidade é voltada a famílias inscritas no CadÚnico. O piloto terá duração de 90 dias e será realizado em São Paulo, Rio e Belo Horizonte.
O Banco do Nordeste não detalha a carteira ativa de microcrédito, mas diz que a operação urbana, chamada CrediAmigo, teve um desembolso recorde no ano passado, de R$ 13,4 bilhões. O BNB diz ainda que é o principal operador do Acredita no Primeiro Passo, com R$ 1,6 bilhão em valores contratados em 2025, o que beneficiou 177 mil microempreendedores.
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