
Estratégia envolve uso de sua base de dados e do relacionamento com consumidores para ampliar penetração de produtos no país e atuar como elo entre corretoras, seguradoras e clientes
Após consolidar sua atuação como birô de crédito, a Serasa Experian tem buscado formas de crescer no mercado de seguros no Brasil. A estratégia envolve o uso de sua base de dados e do relacionamento com consumidores, especialmente de menor renda e negativados, para ampliar a penetração desses produtos no país e atuar como elo entre corretoras, seguradoras e clientes.
No Brasil, a movimentação teve início com a compra da Tex, empresa de softwares para corretoras de seguros e seguradoras, em 2024. A partir daí, começou a estudar formas de distribuir seguros pelo seu aplicativo, que tem mais de 100 milhões de usuários, segundo Emir Zanatto, gerente executivo de seguros da Serasa Consumidor.
“Começamos a modelar alguns produtos para aquele ambiente, estudando quais deles teriam maior aderência no público”, afirma Zanatto, que presidia a Tex antes de a empresa ser comprada. “A ideia é que as pessoas que conseguem limpar o nome e voltar a consumir tenham interesse em proteger o patrimônio e que alguma eventualidade não a faça voltar a ser devedora.”
A incursão no mercado segurador local pela Serasa replica uma estratégia adotada pela sua controladora, a britânica Experian, que há algum tempo oferece seguros para clientes no mercado americano. No relatório do ano fiscal de 2025, a companhia destaca o avanço desse negócio dentro de sua divisão de Consumer Services. Embora não divulgue o peso exato dos seguros nos resultados, a empresa aponta o segmento como um dos principais vetores de crescimento, com aumento no número de apólices, ganho de escala e investimentos contínuos para expandir a oferta.
No Brasil, o primeiro movimento da Serasa foi oferecer assistências como de automóveis e de residências no primeiro semestre de 2025. Em seguida, avançou para a oferta de seguro de carros, que é a cobertura mais disseminada no país, e de motocicletas. Entre os próximos passos está a inclusão de microsseguros voltados à proteção de renda na plataforma.
“Hoje, o segundo maior motivo de endividamento do brasileiro são as contas de serviços básicos. Quando alguém deixa de pagar água ou luz, em geral já está em uma situação financeira crítica. Por isso, pensamos em soluções com forte correlação com esse público, que ajudem a evitar a perda de renda”, afirma.
Além do desenho de novos produtos, a companhia trabalha atualmente na integração de corretores ao seu sistema. Na visão do executivo, itens mais simples e de tíquete médio mais baixo, como o seguro “bolsa protegida”, são mais fáceis de serem vendidos on-line. Já a expansão em outros ramos, como o de automóveis, deve exigir maior proximidade com intermediários.
Até agora, quando um usuário demonstra interesse por uma oferta dentro do aplicativo, a seguradora é acionada e direciona o atendimento a um corretor. Com a integração, caberá à própria Serasa fazer a conexão direta entre esses profissionais e o cliente.
“Hoje, ao analisar os números de automóveis, há ainda um volume elevado de abandono de carrinho. Queremos colocar esse contato nas mãos de um corretor para entender como isso pode melhorar a conversão. O corretor sabe tirar os medos, tirar as dúvidas, e sabemos que há produtos que não funcionam ainda muito bem para a jornada 100% on-line”, diz Zanatto.
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