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06 de maio de 2026 - 17:11 - atualizado às 17:15

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A Europa está ganhando relevância nas carteiras de investidores latino-americanos. Impulsionados por uma melhor relação risco-retorno no crédito europeu e maior resiliência setorial, além de movimentos geopolíticos que redefinem investimentos nos Estados Unidos, fluxos de capital latino que usualmente encontram ativos em terras ianques agora têm atravessado o Atlântico.

“O crédito europeu está pagando praticamente o mesmo — ou até um pouco mais — do que o americano, mas com menor risco”, diz Pedro Hamparzoumian, partner e head de Investor Relations da Arcano Partners, em entrevista à Funds Society. A Arcano é uma gestora espanhola de ativos alternativos com foco em crédito, private markets e real estate, com forte presença na Europa e cerca de €14 bilhões sob gestão.

No Brasil, a gestora é parceira da Constância Investimentos, asset local que atende público institucional e conta um feeder exposto a uma estratégia de crédito da Arcano. Hamparzoumian argumenta que o diferencial do crédito europeu está menos no “rótulo” do ativo e mais na composição do mercado.

Segundo ele, a Europa tem uma fatia menor de emissores de pior qualidade de crédito, o que melhora a relação entre risco e retorno. “Você tem menos CCC na Europa — cerca de 5%, contra 11% no mercado americano”, afirma.

Para o executivo, esse peso menor de crédito mais frágil ajuda a explicar por que a classe de ativos europeia pode entregar retorno semelhante ao dos Estados Unidos com uma estrutura de risco mais defensiva. “Está pagando mais ou menos o mesmo, mas com menor risco”, diz.

Ele acrescenta que a qualidade média também aparece em outro indicador: “50% do crédito na Europa é seguro, ao invés de 25% do crédito seguro nos EUA”, além de haver “mais exposição a setores não cíclicos”, o que tende a reduzir a volatilidade da carteira.

A estratégia, segundo a gestora, tem atraído principalmente family offices e investidores de alta renda da América Latina, que tradicionalmente já têm afinidade com a classe de ativos. A captação nas Américas é em torno de US$ 500 milhões, cerca de 3% a 4% do AuM global.

Real State

Além do crédito, a Arcano também vem expandindo sua atuação em real estate europeu, com foco na Península Ibérica. A estratégia, segundo Alejandro Adan, partner responsável pela área, está centrada em Espanha e Portugal, onde a gestora possui presença local e capacidade de execução.

“Estamos focados em Espanha e Portugal, onde temos equipe local, rede e expertise”, afirma.

Diferentemente de estratégias mais conservadoras, a casa atua no segmento de valor agregado, buscando transformar ativos com menor desempenho em oportunidades mais rentáveis. “Buscamos reposicionar ativos — transformar ativos problemáticos em ativos de qualidade por meio de gestão ativa”, diz.

Para Adan, o contexto macro também favorece a classe. “Em momentos de incerteza, inflação e volatilidade, ativos reais tendem a ganhar atratividade. Eles oferecem retornos mais estáveis e previsíveis”, afirma.

A tese também dialoga com o perfil do investidor latino-americano. “Investidores da região historicamente têm afinidade com real estate, porque enxergam como uma forma de proteção patrimonial”, acrescenta Hamparzoumian.

Alternativos cada vez mais acessíveis

No plano global, a Arcano observa uma transformação estrutural no mercado de investimentos alternativos, com maior acesso e flexibilização dos produtos. “Estamos vendo uma democratização dos alternativos”, afirma Hamparzoumian.

Segundo ele, esse movimento passa por diferentes vetores. “Estamos vendo tickets mínimos menores, estruturas evergreen e formas mais fáceis de acesso por meio de plataformas”, diz. “Hoje, o investidor consegue acessar estratégias que antes eram restritas a grandes instituições.”

Essa mudança também reflete transformações mais amplas nos mercados. “Hoje há menos empresas listadas e mais oportunidades no mercado privado”, afirma. “Isso torna os alternativos uma peça cada vez mais importante nas carteiras.”

A evolução das estruturas de investimento também acompanha essa tendência. “Estamos vendo cada vez mais veículos com capital já comprometido desde o início, além de estratégias semi-líquidas”, explica. “O mundo está mudando em termos de como se acessa esse tipo de ativo.”

Para o executivo, essa mudança não é pontual, mas estrutural. “Os diferentes veículos de investimento estão mudando muito”, diz. “O acesso está ficando mais simples, mais digital e mais amplo.”

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