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27 de outubro de 2026 - 17:12

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Bradesco, Banco do Brasil, BTG Pactual, Santander e Itaú projetam um futuro em que agentes de IA, identidade digital e computação quântica transformarão a experiência financeira e exigirão novas infraestruturas de confiança

A interação de correntistas com seus bancos no futuro muito provavelmente não se parecerá nada com a que conhecemos hoje. A lógica dos superapps, que reúnem diferentes produtos em uma plataforma, deve dar lugar a um cenário em que tecnologias e agentes conversam entre si para resolver demandas sem que o usuário precise sequer abrir um aplicativo. Essa foi uma das provocações do painel “A próxima fronteira do setor bancário”, realizado durante o FEBRABAN TECH 2026, principal evento de tecnologia e inovação do setor financeiro.

O debate reuniu executivos do Bradesco, Banco do Brasil, BTG Pactual, Santander Brasil e Itaú Unibanco, com mediação de Eduarda Davidovic, diretora de Inovação e Tecnologia Bancária da Febraban.

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As discussões foram de IA a computação quântica, passando por segurança e cooperação. Para Cesar Martins da Costa, tech CIO de Operações de TI do Bradesco, a IA vem alterando o desenvolvimento de software, enquanto a IA agêntica aparece como próximo passo. Identidade e ativos digitais devem mudar as transações, seguidos pela computação quântica. “Tudo isso vai mudar a forma de fazermos transações e também o ecossistema”, afirmou.

O diretor de Tecnologia do Banco do Brasil, Rodrigo Mulinari, citou aplicações de IA agêntica e robótica na China e avanços em tokenização e computação quântica em Singapura. Segundo ele, nesses mercados, a inovação é questão de Estado, algo que deveria ser pensado também por aqui.

No Brasil, a vantagem está na infraestrutura construída pelo sistema financeiro. Para Gilberto Abreu, vice-presidente-executivo de Tecnologia e Operações do Santander Brasil, o País se tornou uma espécie de “Vale do Silício das finanças”, impulsionado por Pix, Open Finance e moedas digitais. “O Brasil tem sido uma fronteira de inovação. Tudo está sendo testado aqui no mundo das finanças”, observou.

Blend de tecnologias

Ainda falando de futuro, Rodrigo Dantas, diretor do Itaú Unibanco, previu que o próximo salto de inovação não virá de uma tecnologia única. Dantas acredita que IA, computação quântica e identidade tendem a se combinar. “As tecnologias devem logo se misturar todas. Não haverá no futuro próximo uma tecnologia que não converse com a outra ou que não se complemente”, afirmou. Para ele, quando computação quântica e IA puderem operar juntas com segurança, os impactos ultrapassarão o setor financeiro. “Não conseguiremos mais fazer banco como fazemos hoje.”

Para os especialistas, essa combinação coloca em xeque o superapp. Dantas prevê um banco conversacional em que o cliente diz o que precisa e sistemas e agentes executam a tarefa. Com isso, vem o desafio de garantir segurança e determinar responsabilidades quando agentes realizarem transações.

Christian Flemming, COO e CTO do BTG Pactual, reforça as previsões. Em sua visão, segurança e prevenção a fraudes continuarão moldando as decisões, respeitando o arcabouço regulatório.

A tecnologia está aí para a construção desse novo futuro projetado pelos executivos. No entanto, falta ainda a operacionalização disso tudo. Falta, por exemplo, construir uma infraestrutura de confiança, com credenciais, autorizações e aspectos jurídicos para que agentes possam atuar em nome dos clientes.

Nesse cenário, a lógica da cooperação se sobrepõe à da competição. A construção das novas infraestruturas exigirá cooperação semelhante à que tornou o pagamento instantâneo possível. “Ninguém, individualmente, conseguiria entregar o valor que o Pix entregou como ecossistema”, afirmou Mulinari. A disputa ficará na experiência e na velocidade.

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