
O governo deve anunciar na próxima semana uma nova etapa do Desenrola voltada a quem paga suas dívidas, apesar da resistência de grandes bancos em reduzir juros, afirma José Roberto de Toledo no A Hora, do Canal UOL.
O tema é um dos destaques do episódio desta semana do A Hora, podcast de notícias do UOL com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo, disponível nas principais plataformas. Ouça aqui.
A proposta, diz Toledo, é oferecer uma troca: sair de dívidas com juros muito altos para um crédito com taxa menor. Só que, nessa fase, a adesão das instituições é ainda mais decisiva para o programa funcionar.
“E agora, o que deve ser anunciado na próxima semana, é a segunda etapa, que é o Desenrola para adimplentes, ou seja, para quem paga suas dívidas. E aí tem um impasse, porque, diferentemente do que aconteceu na primeira fase, há uma resistência dos grandes bancos, ali representados pela Febraban, em aderir a essa segunda fase.”
- José Roberto de Toledo
Toledo afirma que o Desenrola anterior teve grande adesão dos bancos porque havia interesse direto em recuperar parte de dívidas não pagas. Agora, o foco seria um público que já está pagando, o que muda o incentivo das instituições.
“A ideia do governo é que haja uma troca da dívida que hoje essas pessoas pagam com juros muito altos por juros significativamente menores, ainda altos. O Lula quer baixar essa taxa ainda mais, mas os bancos não estão aceitando por uma razão simples: se essas pessoas já estão pagando e estão pagando às vezes 430% de juros, dependendo da modalidade do crédito que eles fizeram essa dívida, para que eles vão levar essas pessoas para pagar 40% ao ano?”
- José Roberto de Toledo
Ele lembra que o plano inicial citado no debate era de juros de 2,9% ao mês – algo perto de 40% ao ano. Ainda assim, avalia, a taxa ficaria bem acima da referência de juros da economia, mencionada como em torno de 15%.
Segundo Toledo, o governo tende a lançar a nova etapa mesmo sem os grandes bancos. Ele diz que fintechs e bancos digitais, como o Nubank, têm interesse em disputar esse cliente e devem participar.
“Sem adesão dos grandes bancos, vai ter o mesmo sucesso que teve na primeira fase? É difícil saber, porque a adesão do banco é fundamental para esse tipo de programa dar certo, porque é ele quem facilita a vida de quem tem que fazer essa migração. Se ele dificultar, pode ser que o programa não tenha a mesma eficácia.”
- José Roberto de Toledo
Para Toledo, o endividamento ajuda a explicar por que indicadores como desemprego, PIB e inflação podem não se traduzir em popularidade para o governo.
“Suspeita-se que uma das razões pelas quais os bons indicadores de desemprego, até do PIB, mesmo da inflação, não se reflitam em popularidade para o governo, porque é uma parcela muito grande da população se endividou, está pagando juros muito altos, está inadimplente, enfim, está consumindo menos ou está consumindo da mão para a boca.”
- José Roberto de Toledo
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