
Biografia ‘O menino homem do Seridó – A saga de Uelinton Ribeiro’ conta a história do empreendedor que atua em diversos ramos de atuação pelo Brasil
O sertanejo é, antes de tudo, um forte. A frase escrita por Euclides da Cunha em “Os sertões” combina com a trajetória do empresário potiguar Uelinton Ribeiro. Ao longo de seis décadas, ele saiu da pobreza no sertão nordestino e alçou uma bem-sucedida carreira empresarial em diversos ramos de atuação, desde a construção civil ao setor de restaurantes, passando pela indústria e o comércio.
Ribeiro, que hoje comanda uma cadeia de empresas a partir de Natal, Rio Grande do Norte, poderia ser mais um caso de “gente que faz”, pessoas que constroem impérios financeiros a partir do zero.
A biografia “O menino homem do Seridó – A saga de Uelinton Ribeiro”, porém, mostra algo diferenciado. Por trás de uma bem-sucedida trajetória profissional, existe uma história pessoal que lembra um roteiro de minissérie. Afinal, como pode um menino franzino, que escapou por pouco dos índices de mortalidade infantil por conta da pobreza extrema, começar a trabalhar com menos de dez anos na periferia de São Paulo, comprar um automóvel com o próprio dinheiro aos 12 e, aos 13, construir uma casa para a mãe?
Quando completou 12 anos e já exercendo o papel de principal provedor financeiro do lar, ele chamou o pai, José Ribeiro, que ao contrário do filho não era muito chegado ao batente, e teve uma conversa de “cabra para cabra”. Foi direto ao ponto: “Pai, nós estamos trabalhando e vamos mudar de vida, mas o senhor não está colaborando”.
Invertendo a lógica natural em que pais sustentam filhos, propôs pagar uma mesada mensal a José para que ele fosse embora, já que o casamento com Iolanda, a mãe de Uelinton, era apenas de fachada. E assim foi durante décadas até a morte de José, aos 98 anos. O dinheiro mensal dado pelo filho garantia o seu sustento. “Já ajuda quem não atrapalha”, pensava o biografado na época do acordo, em uma lógica que norteia sua vida até hoje.
Ele nasceu em 1966 em Santana do Matos, em uma região do interior do Rio Grande do Norte conhecida como Seridó. Em 1970, durante uma estiagem severa, a família Ribeiro seguiu o caminho de outros tantos nordestinos vítimas da seca: foi para São Paulo tentar a vida.
Na capital paulista, logo o pequeno Uelinton começou a demonstrar mais afeição pelos números do que pelas letras. Vendia tudo que podia na região do Capão Redondo, onde morava com a família: sucata, picolés, pipas e tudo que pudesse render algum dinheiro. Aos 11 anos, foi trabalhar com um tio comerciante e logo se destacou. Em poucos meses, era chefe de uma equipe de funcionários, já que sabia ler e escrever e era bom em contas.
Com 12 anos, decidiu trabalhar por conta própria, vendendo mercadorias de “porta a porta”. Nunca mais teve patrão. A rua ensinou tudo para Uelinton. Comprou um carro mesmo sem ter habilitação e partia em busca de compradores para materiais de limpeza, baldes, vassouras etc. para moradores e pequenos comerciantes locais.
Em uma região conhecida pela violência, ele se aventurava por locais evitados por outros vendedores, como favelas, becos, comunidades distantes e áreas dominadas pelo poder paralelo. O perigo era grande, mas o lucro era maior, já que havia demanda por produtos e escassez de fornecedores.
O “menino do Seridó” não parou mais. Com apoio da mãe e da irmã, Lila, montou um pequeno império atacadista de venda de mercadorias, com filiais em várias partes do país. Com olhar perspicaz, sempre apostou na diversidade, abrindo outras frentes de negócios, como uma pequena fábrica de cosméticos. Ficou rico.
No começo dos anos 2000, após sofrer uma tentativa de sequestro em São Paulo, o menino que ganhou a vida em regiões perigosas da periferia e nunca teve medo das ruas da capital paulista decidiu se mudar. No final de 2002, voltou para o Rio Grande do Norte e se estabeleceu em Natal, onde mora até hoje.
“A tentativa de sequestro, ironicamente, foi o empurrão que faltava para Uelinton conquistar o Brasil”, escreve o autor da biografia, Julius Wiedemann. O portfólio de Ribeiro hoje é amplo e espalhado por Natal, São Paulo e outras cidades. São restaurantes, distribuidoras, investimentos imobiliários, marmoraria (Companhia do Mármore, uma das mais prestigiadas do Rio Grande do Norte), móveis de luxo (Mula Preta, com loja nos Jardins, em São Paulo), franquias no Nordeste (Portobello e Grand Cru) e outros empreendimentos.
Em todas as esferas de negócios, o faro do menino do Seridó não deixa passar as oportunidades. Já chegou a vender a casa da família algumas vezes porque alguém fez uma oferta irresistível. Ribeiro, com sua história, remete ao pensamento de seu conterrâneo famoso, o escritor e folclorista Luís da Câmara Cascudo: “É preciso acreditar que estamos aqui numa missão humana e que nada disso é castigo nem penitência acima de nossas possibilidades de resolução”, afirmou Cascudo, em uma entrevista em 1964.
O menino homem do Seridó – A saga de Uelinton Ribeiro – Julius Wiedemann. Editora Afluente. 260 págs., R$ 99,00
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