Apr
24

Itaú formaliza pedido de licença ampliada nos EUA

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
23 de abril de 2026 - 17:12

Itau-formaliza-pedido-de-licenca-ampliada-nos-eua-televendas-cobranca-1

De olho em clientes de alta e altíssima renda, banco poderá oferecer produtos que hoje não fazem parte de sua atuação no país, como cartão de crédito, financiamento imobiliário e outras linhas de crédito

O Itaú Unibanco formalizou em 13 de março um pedido ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC) para obter licença e atuar como “national bank” nos Estados Unidos, movimento que amplia o escopo da operação local e permite ao banco oferecer produtos que hoje não fazem parte da sua atuação no país, como cartão de crédito, financiamento imobiliário e outras linhas de crédito. A iniciativa mira uma base de aproximadamente 2,3 milhões de clientes de alta e altíssima renda do banco.

A presença do Itaú no mercado americano está concentrada, até o momento, no atendimento private voltado a investimentos “offshore” – ou seja, na gestão de recursos mantidos fora do Brasil para clientes com mais de R$ 10 milhões investidos. Nesse modelo, o banco atende a alocação internacional desses clientes, mas não oferece produtos bancários no mercado americano. Caso a solicitação seja aprovada, a instituição poderá ampliar essa atuação para incluir serviços como conta, crédito e financiamento, voltados a clientes do private e também do Personnalité, segmento destinado a correntistas com renda mensal a partir de cerca de R$ 15 mil ou ao menos R$ 250 mil investidos.

Desde 2021, o volume de alocação internacional da base de clientes de private banking avançou cerca de 80%, apontam dados do banco. Aproximadamente 20% de um total de R$ 1,5 trilhão sob gestão e administração no Itaú Private estão fora do Brasil, o equivalente a cerca de R$ 300 bilhões. Desse total, dois terços estão nos Estados Unidos e um terço na Suíça.

O processo segue o rito regulatório padrão para esse tipo de autorização. A análise inicial pelo OCC pode levar cerca de quatro meses, com eventual aprovação condicional. A partir disso, o banco ainda precisa estruturar a nova frente de atuação, etapa que pode levar entre 12 e 18 meses antes do início efetivo da oferta ampliada. A estrutura local deve ser mantida no escritório em Miami, no bairro de Brickell, onde a instituição tem presença desde 2007.

Executivo-chefe (CEO) do Itaú nos Estados Unidos e diretor do Itaú Private Internacional, Percy Moreira afirmou que o pedido não representa uma estratégia de expansão em massa no mercado americano. A prioridade, destacou, segue sendo o cliente do banco no Brasil, ainda que a nova licença passe a permitir ampliar o atendimento a outros perfis, inclusive estrangeiros morando no país.

“Não é uma estratégia de sair a mercado para captar cliente de forma ampla. O foco continua sendo o cliente Itaú. O que a licença faz é ampliar a capacidade de atendimento, permitindo oferecer serviços que não estão disponíveis na operação local.”

Moreira explicou que a estrutura atual da presença americana é viabilizada por uma licença conhecida como Edge Act, que permite a bancos estrangeiros nos Estados Unidos realizar atividades internacionais – como gestão de investimentos e movimentação de recursos mantidos fora do país -, mas restringe a oferta de produtos bancários locais, como crédito, cartões e financiamento para clientes no mercado americano.

Segundo o executivo, esse modelo foi concebido para atender um investidor que diversificava parte do patrimônio no exterior, mas mantinha sua vida financeira concentrada no Brasil, lógica que vem sendo pressionada por uma mudança no perfil da clientela de alta renda.

“Hoje há famílias com presença mais permanente fora do país, com despesas, patrimônio e necessidades locais”

— Percy Moreira

“A operação foi pensada para um cliente que investia fora, mas mantinha sua vida financeira no Brasil. Esse perfil evoluiu. Hoje há famílias com presença mais permanente fora do país, com despesas, patrimônio e necessidades locais.”

O movimento acontece, segundo o banco, em paralelo à atividade da Avenue, corretora do grupo voltada à intermediação de investimentos no exterior, como ações e fundos internacionais, e não há sobreposição entre as operações.

Nos últimos meses, bancos brasileiros têm avançado na estruturação de operações nos Estados Unidos, com modelos distintos de atuação. O Nubank recebeu, no início deste ano, aprovação condicional do OCC para criar um banco nacional no país, com início da operação prevista até 2027. Já o BTG Pactual, após a aquisição do M.Y. Safra Bank, também em janeiro, passou a operar localmente como BTG Pactual Bank, N.A., com serviços como conta internacional, gestão de recursos, depósitos e crédito. Estimativas do Itaú, com base em cruzamento de dados de mercado, indicam que há cerca de US$ 500 bilhões a US$ 600 bilhões de patrimônio de brasileiros fora do país, dentro de um universo de aproximadamente US$ 2 trilhões de recursos de latino-americanos alocados internacionalmente.

Na visão do diretor global do Itaú Private Bank, Fernando Beyruti, a internacionalização deixou de ser apenas uma estratégia de investimento e passou a refletir uma reorganização das famílias de altíssima renda atendidas pelo banco, com patrimônio distribuído entre países e despesas recorrentes em moeda estrangeira. “O cliente compara retorno em real e em dólar, mas aos poucos começa a entender que não é só retorno, é diversificação de risco.”

Além da oferta financeira, o banco vem utilizando eventos como parte da estratégia de relacionamento com clientes. Entre eles está o Miami Open, torneio de tênis que começou no dia 16 e vai até 29 de março, e a Art Basel, feira internacional de arte contemporânea que reúne galerias, colecionadores e investidores de alto patrimônio e tem uma de suas principais edições na cidade. Nesses eventos, a atuação está associada à construção de relacionamento e geração de negócios com clientes de alta renda.

“O cliente pode comprar um ingresso, mas não compra o acesso que a gente proporciona. Colocar o cliente perto da quadra, levar para conhecer bastidores, criar experiências exclusivas cria um vínculo muito forte. E não é só entretenimento. Já fechamos negócios relevantes ali”, disse Beyruti.

O Itaú Unibanco registrou lucro recorrente de cerca de R$ 46 bilhões em 2025, com receita total superior a R$ 150 bilhões.

A repórter viajou a convite do Itaú Unibanco

CADASTRE-SE no Blog Televendas & Cobrança e receba semanalmente por e-mail nosso Newsletter com os principais artigos, vagas, notícias do mercado, além de concorrer a prêmios mensais.

» Conheça os colaboradores que fazem o Blog Televendas e Cobrança.

Gostou deste artigo? Compartilhe!

Escreva um comentário:

[fechar]
Receba as nossas novidades por e-mail:
Cadastre-se agora e receba em seu e-mail:
  • Notícias e novidades do segmento de contact center;
  • Vagas em aberto das principais empresas de Atendimento ao Cliente;
  • Artigos exclusivos sobre Televendas & Cobrança assinados pelos principais executivos do mercado;
  • Promoções, Sorteios e muito mais.
Preencha o campo abaixo e fique por dentro das novidades: