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28 de abril de 2026 - 17:11 - atualizado às 17:36

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Taxa no rotativo sobe para 435,9% ao ano. Inadimplência se mantém em patamar recorde

O aumento dos juros do cartão de crédito, especialmente no rotativo que subiu de 424,5% ao ano em janeiro para 435,9% em fevereiro, tem encarecido o crédito no país e pressionado o orçamento das famílias, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC).

Em fevereiro, a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 62% ao ano, com destaque para a alta nas operações do cartão de crédito rotativo, uma das modalidades mais caras do mercado. Nesse tipo de crédito, houve uma elevação da taxa média de 11,4 pontos percentuais no período.

O rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura do cartão e entra automaticamente em uma linha de crédito com juros elevados. Com o encarecimento dessa modalidade, cresce o risco de endividamento e atraso nos pagamentos.

Volume de crédito chega a R$ 7 tri

Ao mesmo tempo, o volume total de crédito no país continuou aumentando, mas em ritmo mais lento. O saldo das operações chegou a R$ 7,1 trilhões em fevereiro, alta de 0,4% no mês e de 9,6% em 12 meses — abaixo do observado anteriormente.

O avanço segue sendo puxado pelas famílias. O crédito para pessoas físicas cresceu 0,6% no mês e acumula alta de 11,2% em um ano, indicando que os consumidores continuam recorrendo a empréstimos para manter o consumo, mesmo com o custo mais elevado.

Esse cenário tem impacto direto no bolso. Com juros mais altos, aumentou o número de pessoas com dificuldade para pagar dívidas. No total do sistema financeiro, 4,3% das operações estão com atraso. Entre as famílias, o índice é maior e chegou a 5,2%.

Endividamento ainda recorde

O peso das dívidas no orçamento também segue elevado. O endividamento das famílias está em 49,7% da renda anual, enquanto o comprometimento mensal — que mede quanto da renda já está reservado para pagar dívidas — chegou a 29,3%. O endividamento está há três meses no mesmo patamar, que é recorde na série histórica.

Na prática, isso significa que, de cada R$ 100 que uma família ganha por mês, cerca de R$ 29 já estão comprometidos com parcelas de empréstimos e financiamentos.

Apesar do cenário mais apertado, os bancos ainda liberaram R$ 602,3 bilhões em novos empréstimos em fevereiro. Ainda assim, houve leve queda nas concessões na comparação mensal com ajuste sazonal, indicando perda de fôlego na demanda por crédito.

Em uma visão mais ampla da economia, que inclui também outras formas de financiamento além dos bancos, o volume total de crédito atingiu R$ 21 trilhões — equivalente a 163,7% de tudo o que o país produz em um ano.

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