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26 de abril de 2026 - 12:12 - atualizado às 14:35

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De acordo com números de janeiro, 101 milhões de pessoas acessam o rotativo do cartão de crédito

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que a grande parte da população brasileira acessa o mercado de crédito por linhas emergenciais, mais caras, o que impõe um custo maior que 100% ao ano em termos de taxas de juros. O presidente do BC reconheceu que os juros do rotativo do cartão são punitivos e defendeu uma discussão estrutural para dar mais alternativas saudáveis à sociedade.

Em coletiva de imprensa, Galípolo destacou que a maioria das pessoas que estão inadimplentes no país está relacionada ao cartão de crédito. Segundo o presidente do BC, há 101 milhões de clientes de cartão de crédito no país. Essas pessoas estão sujeitas, em caso de atraso na fatura, ao juro mais caro do mercado, o do rotativo, de 424,5% ao ano, de acordo com os números de janeiro.

Galípolo também destrinchou o número de pessoas que acessam as outras modalidades de crédito. O acesso ao consignado é de quase 30 milhões pessoas, com taxas que variam, em média, de 22% (público) a 51% (privado). Já 49 milhões de pessoas acessam o não consignado, com taxas de 100%.

– A grande maioria (que tem crédito) está pagando taxa acima de 100% (ao ano) nas linhas de crédito emergencial, o que envolve uma discussão estrutural desse arranjo – defendeu o presidente do BC.

Dos 101 milhões de clientes de cartão de crédito, 40 milhões estão no rotativo, sujeitos a taxas de 424,5% ao ano, em média. Na modalidade de parcelamento pela instituição financeira, cujo juro médio é de 194,9% ao ano, há 37 milhões de pessoas. O BC esclarece que tem sobreposição nesses números, uma mesma pessoa pode estar em mais de uma modalidade.

O presidente destacou que o custo imposto ao cidadão pelo rotativo é muito alto, mas que não é uma questão simples de se endereçar.

– Não são questões simples de endereçar. Precisamos trabalhar cada vez mais em alternativas que vão garantir à população que tenha uma escolha que oferece mais vantagens, não cercear e retirar o que ela tem.

Galípolo observou que o muro inglês, regra imposta em 2024 que impede que o custo do empréstimo supere o dobro da dívida inicial, cumpriu seu papel, mas que há limitações em virtude do efeito na oferta de crédito.

– Talvez a extensão dessa política tem que ser sempre ponderada no que eu disse para o diesel. Toda vez que põe um limite de preço isso incorre em um limite de oferta. O que é pior? O que crédito mais caro ou que eu não posso acessar.

O presidente do BC afirmou que é preciso pensar em uma solução que reduza a percepção de risco das instituições financeiras que concedem crédito e que dê mais facilidade para acesso ao cidadão a linhas mais compatíveis com suas necessidades.

– Ou seja, que não use o rotativo de forma recorrente como parte da sua renda, porque os juros são muito punitivos.

Além do crédito caro, Galípolo mencionou que o orçamento das famílias está sendo impactado pelo aumento do nível de preços decorrente dos diferentes choques que a economia global sofreu nos últimos anos. Embora a inflação esteja controlada, a sensação de aumento de custo de vida se dá pelo aumento dos preços de produtos consumidos no dia a dia, como no mercado.

Segundo o presidente do BC, esse sentimento não é exclusivo do Brasil, mas acontece no mundo todo. Há uma quebra da relação do índice de desconforto econômico, que soma inflação e desemprego, ocom a aprovação de governos.

— Nós (BCs) somos meta de inflação, mas o cidadão é nível de preços. O cidadão sabe quanto custa a carne, o litro de leite, o pão. E a cada rodada de choque, aumenta o nível de preços, mesmo que a gente consiga controlar a inflação.

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