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02 de novembro de 2014 - 14:06

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No Brasil, apenas 12% dos 15,5 milhões de estabelecimentos aceitam pagamentos eletrônicos

Por: Léa de Luca

Ele pode ser facilmente roubado, ocupar muito espaço no bolso e até transmitir doenças. Mas, ainda assim, o dinheiro continua sendo, de longe, o meio de pagamento mais usado pelos brasileiros. “O dinheiro é nosso maior concorrente”, diz João Pedro Paro, presidente da Mastercard para o Brasil e para o Cone Sul.

Segundo o executivo, o maior desafio para a empresa crescer é ampliar a aceitação dos meios eletrônicos de pagamento. “Hoje, apenas dois milhões dos cerca de 15,5 milhões de estabelecimentos comerciais no Brasil aceitam pagamentos eletrônicos. E somente 20% dos pagamentos são realizados por meios eletrônicos, o que representa 30% do consumo das famílias”.

Para o executivo, a concorrência de outros atores — recém-regulamentados por resoluções do Banco Central — não assusta. “Apesar de movimentar R$ 1 trilhão por ano, o segmento de pagamentos eletrônicos tem ainda muito para onde crescer no Brasil”, diz. Paro dá outras razões para defender o uso dos meios eletrônicos: “A cada 10% de crescimento de uso do cartão o PIB ganha 1% de crescimento. O custo de emitir, guardar e transportar dinheiro no Brasil é de cerca de 1,5% do PIB”, diz.

A Mastercard, que era simplesmente uma franqueadora de bandeira de cartões de crédito e débito, depois que abriu seu capital em 2006 mudou de foco e, hoje, é muito mais uma empresa de tecnologia que desenvolve soluções para seus clientes em todas as pontas do mundo de pagamentos eletrônicos — banco emissores, comerciantes e prestadores de serviços, credenciadoras e até empresas operadoras de telefonia celular.

Paro explica que a tecnologia é o que permite desenvolvimento de facilidades, como por exemplo o uso de cartões sem contato físico com as “maquininhas” , os dispositivos que transformam celulares em “maquininhas” – apelidados de “dongos” — e o “mobile money”.

Essas facilidades são ferramentas para ampliar a aceitação de cartões. Mas a Mastercard também vem investindo cada vez mais em parcerias. “No Brasil, a mais recente foi fechada com a empresa dona do aplicativo 99 Taxis, para premiar motoristas que aceitam cartões da bandeira no pagamento das corridas”. Até junho, os taxistas concorrerão a um carro zero e a 120 smartphones. “Convencer o lojista, ou o taxista, a aceitar cartões é nosso desafio. Por isso, precisamos oferecer vantagens”, diz.

A Mastercard também vem adquirindo empresas de fidelidade em vários países do mundo, para ampliar a oferta de benefícios aos usuários e, principalmente, aos comerciantes e emissores, que são os seus clientes diretos. “O mundo das empresas de fidelidade – loyalty, em inglês — é o que está fazendo a grande diferença hoje nesse mercado”, diz.

Segundo Paro, programas de fidelidade eram encarados como custo no passado, mas hoje são um negócio, um investimento que dá retorno.” Antes tínhamos mecanismo de controle de pontos, hoje estamos agregando benefícios, criando pacotes para atender as necessidades de todos os nossos parceiros”.

A fidelização, segundo ele, ajuda a compreender os hábitos dos usuários, e ao fornecer esses dados aos seus clientes, a Mastercard os ajuda a vender mais e a gerir melhor seus negócios.

“Conseguimos mostrar quais os melhores pontos de distribuição, a melhor hora para abrir e fechar, para o comerciante ter mais público dentro da loja, que consuma mais”, explica. E há ainda tecnologias que ajudam a vender mais. Como exemplo, Paro cita “os provadores virtuais” instalados em sites de e-commerce parceiros da bandeira. “O consumidor pode experimentar à vontade e, com isso, o índice de devolução de produtos caiu de 30% para 5%”, afirma.

Para Paro, um dos segredos do negócio hoje é oferecer cada vez mais soluções que agradem a todos os envolvidos. “Esse também é o caso da carteira digital MasterPass, lançada neste ano. Para o consumidor, é um facilitador, pois reúne ali todas as suas informações de pagamento. Para o e-commerce, significa mais segurança antifraude”, diz.

Em relação a fraudes, Paro revelou que acaba de finalizar um projeto piloto com a Caixa, um dos seus bancos emissores, para colocar no ar no começo do próximo semestre a ferramenta “in control”. Com ela, o usuário do cartão pode controlar seus gastos e limitar valores e horários para o uso de todos os seus cartões, até aqueles dos seus dependentes. No Brasil, a ferramenta terá outro nome, ainda não decidido. “A adesão é facultativa e gratuita, basta se cadastrar no site”, diz o executivo.

Faz parte da ferramenta outra funcionalidade, o “virtual card number” — para uso exclusivo em compras pela internet, um novo número é gerado automaticamente para esse fim, mas sempre atrelado ao cartão original. Essa função, porém, terá um custo para o usuário — que vai ser cobrado pelo banco emissor, de acordo com seus critérios de relacionamento com os clientes, explicou Paro.

O ‘homem-banco’: de recebedor a pagador e adquirente

Paro explica que outro dos desafios da Mastercard é ao mesmo tempo desenvolver mais intensivamente as soluções que já existem, enquanto olha as tendências do futuro — entre elas, ele cita o mobile money. “Em um mundo não muito distante o consumidor que é dono de um celular ou cartão vai ser tudo, emissor, consumidor, pagador, recebedor e adquirente”, prevê. O que será sempre imprenscindível, acredita, é a infraestrutura de conectividade por trás — da qual a Mastercard faz parte.

Para que essa sua profecia vire realidade, porém, ainda leva tempo: “É o outro grande desafio do nosso negócio: educar as pessoas. Quando diz respeito a dinheiro, todos são muito conservadores”, reconhece. O executivo dá como o exemplo o uso dos chips em cartões. A tecnologia chegou ao Brasil em 1999, portanto há 15 anos, mas demorou para se expandir. “Foi preciso uma adaptação da tecnologia, das maquininhas que recebem os cartões, e tudo envolve custos”, diz.

O mesmo está acontecendo com o mobile money. “A ideia surgiu há seis anos, mas ainda engatinha. Acredito que só em quatro ou cinco anos vamos ver números importantes de utilização do mobile money no Brasil”. Paro revela que, por outro lado, em países da África, que começaram do zero, o mobile já entrou com tudo. Aqui, ele vai conviver com outras modalidades já mais desenvolvidas. Além disso, tem a questão cultural: muita gente precisa ver alguma coisa física para acreditar que tem dinheiro dentro do telefone.

A parceria que a Mastercard tem com a Vivo, na empresa batizada de Zoom, recebeu muito mais adesões depois que passou a vincular um cartão físico à conta. O produto começou com poucas funcionalidades – primeiro, apenas para recarga do próprio telefone celular. Em vez de ir na banca comprar um cartão pré-pago com dinheiro, compra com a própria conta pré-paga do celular. Depois, começaram as transferências pessoa-a-pessoa. E, há um mês, os pagamentos de contas. Mas o produto está disponível ainda apenas em quatro cidades brasileiras.

Os dados sobre cartões comprovam que, sob vários aspectos, o uso é realmente cultural: nos Estados Unidos, por exemplo, os consumidores são acostumados a se endividar — 90% dos pagamentos em cartão são com a função crédito, diz o executivo. Já na Europa o uso do debito é maior. “No Brasil cerca de R$ 300 milhões são pagos em débito e R$ 700 milhões em crédito — e um pouco de pré-pago”, informa.

Com 54 anos, Para está na MasterCard Brasil desde 2008, onde, por cinco anos, liderou a área comercial. Formado em engenharia mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1982, antes de ir para a Mastercard, trabalhou nos bancos Itaú, Citibank, Boa Vista e ABN.

Em 2013, os portadores de cartões Mastercard na região da América Latina e Caribe usaram em mais de 4,4 bilhões de transações de compra e saques, o que representa crescimento de 15% sobre o mesmo período de 2012. O faturamento correspondeu a US$ 340 bilhões, 16,4% acima, em moeda local, do registrado no mesmo período do ano anterior.

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1 Comentário
  1. Está aí uma história que achei que só fosse possível no livro “O Executivo e sua Tribo: lidere sua Tribo Corporativa e maximize a produtividade e o lucro da empresa”, Dave Logan, John King & Halee Fischer-Wright, Editora Planeta do Brasil, 2009. Nele, os autores identificaram cinco estágios tribais. Veja em qual você se encaixa: http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/a-sua-vida-e-otima/82358

    Ismael Pereira em 03 de novembro de 2014 - 11:44

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