
Fundo Inovabra comprou o controle da fintech em 2022, mas os fundadores recompraram no ano passado
Fundada em 2004 para resolver uma necessidade do familly office dos seus criadores, a Smartbrain, que atua com consolidação de carteiras de investimento, teve o controle comprado pelo Inovabra, do Bradesco, em 2022. Entretanto, com mudança no banco, os fundadores da fintech acabaram recomprando o controle no ano passado. Com mais independência, querem agora aproveitar algumas mudanças regulatórias e as alterações trazidas pela inteligência artificial (IA) para ganhar mercado.
Cássio Bariani, cofundador da Smartbrain, aponta que a parceria com o Bradesco foi importante e o banco segue como um cliente relevante e acionista minoritário, mas que na nova fase a companhia terá mais autonomia. Atualmente, ela atende quase 250 clientes – como bancos, corretoras, gestoras e escritórios de agentes autônomos – que somam aproximadamente R$ 300 bilhões em ativos.
“Temos dois pilares muito importantes de transformação ocorrendo no mercado. O primeiro veio com as resoluções CVM 178 e 179, que levaram a uma mudança do sistema de comissão para o de ‘fee’ fixo, fazendo o mercado caminhar para um modelo muito forte de consultoria. E isso demanda necessariamente ferramentas de consolidação de carteira”, comenta. “Se isso não vier acoplado com tecnologia, você não consegue dar escala para atender um público maior”.
O segundo pilar é a IA, que também está trazendo uma dinâmica nova de ofertas de produtos. Bariani diz que isso deve levar o mercado endereçável a crescer significativamente, o que também exigirá mais ferramentas de gestão de carteira. “Temos investido muito em tecnologia e a IA aumenta o potencial do negócio. Temos um grande pipeline de lançamentos de produtos nos próximos meses.”
A Smartbrain anunciou no fim do ano passado um acordo com a americana BridgeWise para usar IA em análise de ações globais. Com a integração, a companhia passa a estruturar indicadores, relatórios e comparativos no ambiente já usado para consolidação de carteiras, sem precisar de planilhas externas, múltiplas telas ou processos paralelos.
Um dos produtos da Smartbrain é o Big Data, que consolida os dados das carteiras dos clientes – sem identificar nenhum deles – e faz um relatório mensal sobre os principais movimentos de alocação. Henrique Garcia, o outro fundador e CEO da fintech, aponta que agora eles estão usando IA no Big Data e permitindo que os clientes se pluguem via API. “Temos dados padronizados, uma base de muitos anos, e com cada vez mais inteligência embarcada, vamos gerar muito mais insights”, comenta.
Bariani diz que a Smartbrain sempre foi lucrativa e tem capital para sustentar seu crescimento por conta própria. Sobre possíveis fusões e aquisições (M&As), conta que chegou a negociar dois acordos no ano passado, mas que acabaram não indo para frente. “Estamos sempre conversando, analisando possibilidade. É algo que vai acontecer. Tem muita empresa nova de tecnologia nascendo”.
Apesar da aparente proximidade com aplicativos de gestão financeira que ajudam pessoas físicas a organizarem suas contas, o executivo aponta que o mercado de varejo (B2C) é muito diferente. “Alguns players surgiram nesse mercado, mas acabaram sendo comprados pelos grandes bancos, que internalizaram esse serviço. Já chegamos a pensar em ir para o B2C, mas nosso foco é mesmo o B2B. É um jogo diferente, muito especializado”.
A Smartbrain não tem muitos competidores diretos no negócio de consolidação de carteiras de investimentos, além das áreas internas dos grandes bancos. Existem alguns players que prestam serviços de controle e backoffice para fundos, que é um serviço complementar ao da fintech, mas não chegam a competir diretamente.
O family office Leader Participações, que deu origem à Smartbrain, também foi o celeiro da Invest Tracker, empresa de análise e ranking de fundos vendida em 2005 à Thomson Reuters.
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