
O dado faz parte de uma pesquisa da PwC e da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD)
Apesar do cenário de deterioração na qualidade dos ativos em 2025, o volume de crédito concedido por fintechs subiu 51% em 2025, chegando a R$ 53,8 bilhões. O dado é de uma pesquisa da PwC e da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD). O estudo mostra que, mesmo com o ambiente macroeconômico mais incerto, essas startups cresceram e chegaram a 94,9 milhões de clientes.
Em 2025, a expansão do setor foi predominantemente orgânica, com 82% do crescimento do crédito vindo do aumento das operações existentes, e apenas 18% decorrentes do lançamento de novos produtos. Segundo os autores da pesquisa, esse perfil reflete a maturidade das carteiras e a eficiência crescente na originação de crédito.
O ano de 2025 também mostrou uma mudança no mix das linhas ofertadas pelas fintechs. A principal é o crédito sem garantia, com R$ 10,4 bilhões, mas o consignado privado ganhou força e chegou ao segundo lugar, com R$ 8,5 bilhões, seguido do consignado INSS (R$ 7,1 bilhões), e cartão de crédito rotativo. O crédito sem garantia, que respondia por 60% da oferta em 2019, caiu para 14% em 2025.
Segundo Willer Marcondes, líder de consultoria em serviços financeiros da PwC Brasil, a pesquisa mostra que as fintechs têm se consolidado na oferta de produtos com garantia. “O cartão de crédito continua sendo muito forte, mas quando a gente olha a evolução, até como forma de se proteger, a oferta de linhas com garantia tem sido um denominador comum”.
No crédito para pessoa jurídica, as principais linhas são “aquisição de outros bens”, com R$ 2,65 bilhões, e “capital de giro com prazo acima de 365 dias”, com R$ 1,64 bilhão. Ao mesmo tempo, cresce o atendimento a empresas de maior porte. Cerca de 300 clientes com faturamento superior a R$ 300 milhões já são atendidos por fintechs, o que revela que essas empresas não estão mais restritas ao nicho das pequenas operações.
A inadimplência média entre pessoas físicas nas fintechs de crédito foi de 10,1% em 2025, contra 9,5% em 2024. No segmento de pessoas jurídicas, o índice permaneceu em 3,4% pelo segundo ano consecutivo. Para Daniel Gomes, CEO da Nexoos e diretor-presidente da ABCD, o setor optou por crescer menos do que poderia para preservar a qualidade da carteira.
“As fintechs estão originando menos do que poderiam para manter a inadimplência controlada. Em outro contexto, muito desse crédito teria sido concedido, mas, em 2025, o risco pesou mais do que a demanda”, comenta. Ele aponta que a expansão do consignado privado e de outras linhas com garantia, incluindo as destinadas à pessoa jurídica, indicam que as carteiras das fintechs devem caminhar para uma inadimplência mais controlada no médio a longo prazo.
Sobre o cenário para este ano, Marcondes afirma que o ritmo de crescimento do crédito deve se manter forte. “Apesar das taxas de juros elevadas, as famílias estão com muita demanda por crédito. Óbvio que as fintechs terão atenção com o tema da inadimplência, mas não temos nenhum sinal de que seria preciso pisar no freio.”
Com os juros elevados, o capital próprio ganhou ainda mais relevância entre as fontes de funding das fintechs, com 51% de participação, ante 46% em 2024. Na sequência aparecem fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), com 25%, e debêntures, com 17%. Para 2026, 65% das fintechs consideram os FIDCs uma fonte prioritária de captação.
Na parte tecnológica, 96% das fintechs dizem que implementar ou expandir soluções de inteligência artificial (IA) está entre as prioridades, seguidas pela de cibersegurança (23%) e aplicações para celular (17%). Atualmente, 62% afirmam que já utilizam IA de forma efetiva em suas operações. “Muita gente já utilizava IA tradicional para algum ponto específico, mas em 2025 o uso de IA generativa acelerou para todas as áreas, todos os processos, e em 2026 com certeza cresce ainda mais. As fintechs já têm o DNA da inovação, então a adoção é muito rápida”, explica Gomes.
Entre iniciativas de inovação financeira, 66% das fintechs dizem que já utilizam o Pix, ante 71% no ano anterior. Sobre o open finance, 32% dizem usar a ferramenta, ante 44% um ano antes. Segundo os autores da pesquisa, a queda não significa desinteresse, mas os números sugerem uma combinação de fatores. “Do lado interno, a IA passou a concentrar recursos e atenção estratégica, deixando menos espaço para outras iniciativas. Do lado externo, o próprio regulador desacelerou, dilatou prazos, retirou prioridade de produtos e reduziu o ritmo de transformações na esteira do Pix e do open finance.”
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