Oct
28
27 de outubro de 2020 - 17:00

So-25-das-mulheres-violencia-contra-funcionarias-televendas-cobranca-2

Levantamento, divulgado com exclusividade para VOCÊ S/A, mostra que o tema ainda não é pauta prioritária em grande parte das organizações

A cada 2 minutos uma mulher foi vítima de violência doméstica só no ano de 2019 – no total, foram 263.067 casos. Os números divulgados em setembro pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram uma leve alta quando comparados com os do ano anterior: houve um aumento de 0,8%, quando 252.895 mulheres sofreram algum tipo de agressão.

As vítimas estão em todos os lugares – inclusive, dentro das empresas. Ainda assim, o número de companhias engajadas com o combate a esse tipo de violência é muito baixo: apenas 25% das organizações monitoram e atuam sobre os casos. É o que releva a pesquisa “Violência e Assédio Contra a Mulher sob a perspectiva do mundo corporativo”, realizada no segundo semestre deste ano com 311 empresas pela Talenses, consultoria de recrutamento especializado, em parceria com o Instituto Maria da Penha (IMP) e com o Instituto Vasselo Goldoni com o apoio do ONU Mulheres — e divulgada em primeira mão por VOCÊ S/A.

Mais da metade das empresas (55,31%) não monitoram e nem atuam sobre os casos de mulheres que sofrem com algum tipo de violência e 19,29% dos respondentes afirmaram não saber se há alguma ação nesse sentido por parte do empregador.

Apesar do pouco engajamento verificado pela pesquisa, Edna Goldini, fundadora do Instituto VasseloGoldoni, diz que a pauta tem se tornado cada vez mais relevante para a iniciativa privada porque o tema sensibiliza toda a sociedade. “A empresa tem uma atuação relevante, deve ter consciência de qual é o seu papel para acolher essas mulheres, como elas podem contribuir financeiramente e psicologicamente com as vítimas. A gente tem que entender que a responsabilidade não é só da família ou do governo. Deve existir [no trabalho] um espaço de fala e acolhida”.

Olhar para dentro de casa

Enquanto as companhias têm uma postura mais atenta a casos de assédio moral e sexual, os de violência doméstica ainda não são devidamente explorados. Rodrigo Vianna, diretor da Talenses e membro da Aliança para Empoderamento da Mulher, analisa que os movimentos acontecem em ondas: primeiro fala-se de lideranças femininas, depois de assédio moral e sexual. E isso acontece porque a corporação olha para essas mulheres como suas funcionárias. “Quando você percebe que 60% das empresas afirmam ter políticas voltadas a questões de assédio moral e sexual, mas apenas 25% delas entram na questão da violência, se entende que elas estão preocupadas com o que acontece dentro do universo corporativo. Elas esquecem que atrás do funcionário tem um ser humano, que é vítima em casa. O primeiro passo do processo é ultrapassar as paredes da organização”, avalia.

Quando questionadas sobre o motivo de não mapearem os casos de funcionários que sofrem algum tipo de violência, 33% das corporações afirmam que o tema não está na agenda prioritária da organização; 12% dizem sentir dificuldade para mensurar e controlar as ocorrências; e outros 12% alegam falta de apoio da liderança.

A alta liderança é fundamental

O olho atento dos gestores é, inclusive, um dos pontos mais relevantes para que se a cultura seja disseminada dentro da organização. É comum mencionar o papel do RH, mas Rodrigo destaca a relevância do CEO da empresa estar atento ao tema. “Muitas vezes a própria área do canal de denúncias está no RH e esse é um ponto cirúrgico. O ideal é estar ligado à presidência da companhia. Por mais que o RH seja importante, o CEO tem que ser rapidamente informado porque ele é o responsável maior”, afirma.

O perfil das empresas também acaba sendo parecido: companhias com capital aberto são as que mais possuem políticas e ações para apoiar funcionárias vítimas de violência doméstica (28%). Em organizações de capital fechado, o número é 18%. Levando em conta a nacionalidade das organizações, as empresas estrangeiras são as que mais possuem políticas e ações para apoiar funcionárias vítimas de violência doméstica (22%). Nas nacionais, o número é 17%. Rodrigo acredita que isso seja algo cultural. “O Brasil é um país majoritariamente machista. Muitas das corporações globais já têm políticas lá fora e estão acostumadas com esse tema”, avalia.

O que pode ser feito

A pesquisa ainda aponta alguns exemplos de ações voltadas ao combate ao assédio moral e sexual: as principais políticas são canal de denúncias (38%), campanhas de conscientização e sensibilização (32%), canal de ouvidoria para apoio à mulher (25%), apoio jurídico (17%) e subsídio psicológico externo (14%).

Todos os exemplos também podem ser utilizados com o foco no combate à violência doméstica. Alguns cases já são famosos, como o da varejista Magazine Luiza, que criou um canal de denúncias em 2017 após o feminicídio de Denise Neves dos Anjos, gerente de uma unidade em Campinas (SP).

Edna, do Instituto Vasselo Goldoni, pontua que é importante que as empresas comecem a discutir o tema, mesmo com algo singelo, como uma cartilha sobre o assunto. Isso ajuda a conscientizar todos os membros da organização – inclusive sobre os tipos de violência doméstica (que podem ser física, sexual, psicológica ou patrimonial). “Muitas vezes a mulher não quer falar, se expor. Mas ela entende que tem um ambiente seguro para isso. Como líder de RH, você deve saber que o impacto da ação pode ser muito grande. Em uma empresa com mil ou duas mil vidas, quantas mulheres não têm a oportunidade de pedir ajuda?”.

CADASTRE-SE no Blog Televendas & Cobrança e receba semanalmente por e-mail nosso Newsletter com os principais artigos, vagas, notícias do mercado, além de concorrer a prêmios mensais.

» Conheça os colaboradores que fazem o Blog Televendas e Cobrança.

Gostou deste artigo? Compartilhe!

Escreva um comentário:

[fechar]
Receba as nossas novidades por e-mail:
Cadastre-se agora e receba em seu e-mail:
  • Notícias e novidades do segmento de contact center;
  • Vagas em aberto das principais empresas de Atendimento ao Cliente;
  • Artigos exclusivos sobre Televendas & Cobrança assinados pelos principais executivos do mercado;
  • Promoções, Sorteios e muito mais.
Preencha o campo abaixo e fique por dentro das novidades: