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Varejo vai aceitar usado na compra de celular novo

por: Afonso Bazolli
em: Vendas
fonte: O Estado de S.Paulo
08 de agosto de 2016 - 18:08 - atualizado às 19:22

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Magazine Luiza é a primeira grande rede de lojas a adotar modelo de recompra de aparelhos, que já está disponível nas operadoras

Por: Claudia Tozetto

A partir de hoje, quem visitar uma loja do Magazine Luiza em busca de um smartphone novo, poderá entregar seu aparelho usado, em qualquer estado, para garantir um desconto no valor final da compra. O Magazine Luiza é a primeira grande rede de varejo a adotar o modelo de recompra de aparelhos – conhecido como “trade-in” – no País. Até o momento, somente operadoras de telecomunicações ofereciam essa opção, que ajuda o consumidor a viabilizar a troca do smartphone, mesmo em tempos de crise.

Na prática, basta que o consumidor leve o aparelho à uma loja e entregue ao vendedor. Com a ajuda de um sistema, ele fará a avaliação do produto: é preciso responder a cinco questões com base no estado do usado – como informar se ele está com a tela quebrada. O sistema, então, informa o valor de recompra do produto e, consequentemente, quanto ele vale na troca por um aparelho novo. A mecânica é parecida com a da venda de carros usados, mas, como os valores são tabelados, é difícil barganhar um preço melhor com o vendedor.

“Esperamos que isso aumente nossa receita com a venda de smartphones”, disse o vice-presidente do Magazine Luiza, Fabrício Garcia, em entrevista exclusiva ao Estado. “Vamos oferecer um serviço melhor para o consumidor, ao mesmo tempo em que ganhamos um diferencial em relação aos nossos concorrentes.”

A princípio, a venda de smartphones com desconto atrelada à entrega do aparelho usado vai funcionar nas 71 lojas do Magazine Luiza em São Paulo. Até o fim de 2016, todas as 786 lojas da varejista no Brasil vão adotar o trade-in – ele não vale para quem compra o smartphone por meio do site de comércio eletrônico.

No Brasil, todas as operadoras aceitam a venda de aparelhos seminovos na compra de novos smartphones. A prática também é adotada por alguns varejos especializados em tecnologia, como as lojas da Fnac (restrito ao iPhone) e revendas especializadas em produtos fabricados pela Apple.

Crise. O trade-in chega ao varejo em um momento em que as vendas de smartphones enfrentam forte queda, efeito da crise econômica no País. De acordo com dados da consultoria IDC Brasil, a venda de smartphones fechou o primeiro trimestre de 2016 em 9,3 milhões de unidades, 34,4% a menos do que no mesmo período do ano passado (leia mais ao lado). “A oscilação do dólar obrigou os fabricantes a repassar preços mais altos aos consumidores finais”, afirmou o analista de pesquisas da IDC Brasil, Diego Silva, em nota.

É por isso que o Magazine Luiza não deve ser o único varejista a considerar o trade-in em sua estratégia para smartphones por muito tempo. Segundo a Brighstar, uma das principais empresas que atuam no mercado de recompra de smartphones usados no País, outras grandes varejistas já negociam acordos similares com a companhia. “Os aparelhos têm um valor residual importante”, diz o presidente da Brightstar no Brasil, José Froes. “O desconto oferecido ajuda as lojas a aumentar o valor médio dos aparelhos vendidos.”

Depois que os smartphones seminovos são entregues nas lojas, a Brightstar recolhe esses aparelhos, que passam pela assistência técnica para ajustes, como trocar a tela se ela estiver quebrada ou atualizar o sistema operacional. Após a manutenção, o aparelho é revendido por lojas especializadas na revenda de smartphones usados. Quem compra um aparelho nessas lojas, recebe nota fiscal e garantia de três meses de uso.

“Existe uma camada de usuários que busca um smartphone premium, mas opta por comprar o mesmo modelo usado, pois não pode pagar pelo novo”, explica Froes. “Quando o aparelho está sobre a mesa, ninguém sabe se ele é usado, então o status é o mesmo.”

Explosão. A adoção do trade-in pelas grandes varejistas no Brasil deve ter impacto significativo no mercado de usados, já que esses canais respondem por cerca de 80% do volume de smartphones vendidos no País – segundo fontes, as operadoras são responsáveis pelo restante.

De acordo com Froes, a expectativa é que a empresa revenda 200 mil unidades de smartphones seminovos até o fim de 2016, o dobro do registrado no ano passado – as vendas de aparelhos novos deve chegar a 41 milhões no mesmo período, segundo estimativa da IDC Brasil.

Além da Brighstar, outras empresas estão de olho no crescimento do mercado de usados, como a Recomércio, a Brused e a Trocafone, que venderam 3 mil, 10 mil e 50 mil smartphones “de segunda mão” ao longo do ano passado. Essas empresas têm conseguido aumentar sua receita ao comprar aparelhos usados direto do consumidor e revendê-los por meio da internet. Só a Recomércio, por exemplo, conseguiu alcançar receita de R$ 1 milhão no ano passado com a aposta no segmento de celulares usados.

Preço médio de smartphones sobe 44% em um ano

O preço médio dos smartphones vendidos no Brasil no primeiro trimestre de 2016 foi de R$ 1.139,23, o que representa 44% acima do valor médio registrado no mesmo período de 2015. As informações são da consultoria IDC Brasil.

As transformações no mercado de smartphones resultaram na alta de preços. “A maioria dos usuários já está na segunda ou terceira compra, o que faz os fabricantes oferecerem mais celulares com especificações técnicas superiores”, explica o analista de pesquisas da IDC, Diego Silva. “Outro ponto é a oscilação do dólar, que obriga o fabricante a repassar os preços mais altos aos consumidores.”

Entre as faixas de preço que tiveram maior crescimento em vendas no primeiro trimestre do ano está a de aparelhos que custam entre R$ 1 mil e R$ 1,3 mil e os smartphones com valor acima de R$ 3 mil – as altas foram de 322% e 110%, respectivamente.

Os preços altos prejudicam, principalmente, quem ainda vai comprar o primeiro celular inteligente: a IDC estima que 35% da população brasileira ainda utiliza celulares básicos.

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