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28 de julho de 2026 - 17:12

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Em algumas instituições financeiras, o ritmo dos atrasos nas prestações dobrou em junho

Sob a expectativa com uma eventual aprovação do projeto de lei da renegociação das dívidas rurais no Congresso Nacional, agricultores têm atrasado o pagamento de parcelas de financiamentos, o que aumenta os níveis de inadimplência no campo. Em algumas instituições financeiras, o ritmo dos atrasos nas prestações dobrou em junho.

O movimento ocorre às vésperas do anúncio do Plano Safra 2026/27, que deverá ocorrer nesta terça-feira (30/6) — e ainda sem uma solução para o crescente endividamento rural. A politização do tema e a falta de clareza sobre o desfecho de eventuais medidas de socorro ao campo pioram o cenário, dizem fontes do mercado financeiro.

Executivos dos principais bancos e cooperativas financeiras do país relataram ao Valor que o nível de atrasos nos pagamentos de parcelas de crédito rural aumentou em maio e junho em comparação com o que se viu em anos recentes. Segundo eles, o ambiente está “contaminado” pela discussão política em Brasília e por avaliações equivocadas sobre as dívidas que poderão ser enquadradas. Com isso, os produtores têm deixado de liquidar as operações na expectativa de incluí-las na renegociação.

Os dados ainda não são visíveis nos balanços do Banco Central. Em abril, as operações de crédito rural em atraso já passavam de R$ 15 bilhões. Os saldos “problemáticos”, que somam também parcelas renegociadas, prorrogadas e inadimplentes, ultrapassam R$ 188 bilhões, o equivalente a 21% de todo o financiamento do setor no sistema financeiro. O nível de inadimplência piorou nos últimos meses e chegou a 7,4% entre pessoas físicas em abril.

No Sicredi, a maior cooperativa financeira do país, os atrasos em junho dobraram em relação a abril e maio, passando de 8% para 16% até o fim da última semana. A instituição ressaltou que não são atrasos consolidados.

Várias parcelas em atraso não estão contempladas no texto atual do projeto de lei para a renegociação, mas os produtores decidiram atrasar pagamentos e esperar a definição em Brasília, relatou a cooperativa. Em conversas, foi constado que oito em cada dez clientes não liquidaram as contas para aguardar as medidas do governo.

“Temos reforçado a orientação aos associados, até porque a manutenção da inadimplência no que está enquadrado pode excluí-lo do acesso à renegociação no projeto de lei ou eventual medida provisória”, disse Gustavo Freitas, diretor-executivo de Crédito e Negócios do Sicredi.

O projeto de lei 5.122/2023 ainda não tem data para ser votado na Câmara dos Deputados. Em caso de aprovação, o texto poderá ser vetado ou judicializado, já que o governo federal não concorda com os termos definidos para a renegociação. O principal alerta dos agentes financeiros é que, mesmo que a renegociação seja implementada conforme a proposta atual, é preciso estar adimplente para acessar o novo recurso.

As regras previstas no texto contemplam operações inadimplentes até abril de 2026. Os contratos do Plano Safra 2025/26, que começaram a vencer em junho, por exemplo, não entrarão na renegociação, alertam os agentes.

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