
Os bancos dos Estados Unidos reportaram lucros robustos no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os balanços divulgados hoje destacam a expansão das atividades de investimento e a melhora na qualidade do crédito das instituições.
O que aconteceu
Lucro dos principais bancos dos EUA avança no segundo trimestre. O Citigroup lucrou US$ 5,8 bilhões entre abril e junho, maior patamar em dez anos para o banco, com alta de 45% na comparação com o mesmo período do ano passado. Altas expressivas também foram registradas pelo JPMorgan Chase (US$ 21,2 bilhões) e Bank of America (US$ 9,1 bilhões), que avançaram 41% e 27%, respectivamente.
Desempenhos mostram resiliência das instituições norte-americanas. Os resultados superaram as expectativas do mercado e demonstram a solidez da atividade, mesmo diante de um ambiente marcado pelas guerras. “Os balanços estão extremamente capitalizados, o que permite blindar os bancos contra a volatilidade macroeconômica e as tensões geopolíticas globais”, avalia Gerson Brilhante, CEO da Arkheon Capital.
Bancos abrem margem para atividades direcionadas aos investimentos. Enquanto o Bank of America registrou uma expansão de 50% na atuação em mercados e banco de investimento, o Citigroup viu um salto de 44% nas receitas como banco de invesimentos, e o JPMorgan reportou um aumento de 30% em taxas. O desempenho com a negociação de ações também foi expressivo, com altas de 70%, 45% e 86%, respectivamente.
“Essa retomada das receitas de assessoria e intermediação financeira não é um evento isolado, mas a consolidação de um novo patamar de atividade para o banco de investimento.”
- Gerson
- Brilhante, CEO da Arkheon Capital
Crédito
Balanços destacam avanço das carteiras de empréstimos no trimestre. JPMorgan, Bank of America e Citigroup relataram aumento generalizado da demanda por crédito de consumidores e empresas. Como consequência, as concessões totalizaram, respectivamente, US$ 1,5 trilhão, US$ 1,22 trilhão e US$ 785 bilhões, com alta principalmente nas áreas de cartões.
Relatos indicam melhora da qualidade do crédito concedido. As instituições apontam para a redução nas provisões para perdas de crédito. “Esse recuo nas provisões para perdas reflete uma melhora qualitativa nas carteiras, e não escassez de demanda”, explica Brilhante.
“Os três bancos concederam mais crédito e viram menos perdas relativas, um sinal de demanda saudável com inadimplência controlada, não de aperto na liberação.”
- Ângelo Belitardo gestor da Hike Capital
Apesar dos resultados positivos, riscos persistem no radar dos bancos. Para os executivos dos bancos norte-americanos, o mercado de crédito das instituições atravessa um cenário econômico saudável. Para Jamie Dimon, diretor-executivo do JPMorgan Chase, a economia dos EUA demonstra “notável resiliência”, com maior investimento empresarial e contratações.
“Essa força [da economia dos EUA] é sustentada por diversos fatores favoráveis, incluindo investimentos de capital impulsionados por inteligência artificial, estímulos fiscais e os benefícios de uma regulamentação mais eficiente.”
- Jamie Dimon, diretor-executivo do JPMorgan
“Num contexto econômico saudável, consumidores e empresas resilientes estão aptos a recorrer ao Bank of America para gastar, contrair empréstimos e investir.”
- Brian Moynihan, CEO do Bank of America
Riscos, no entanto, ainda ameaçam o futuro das instituições nos EUA. Os líderes ressaltam que inúmeras questões ainda exigem cautela dos bancos. “Vários riscos estão se deslocando silenciosamente, como placas tectônicas, incluindo tensões geopolíticas e guerras, inflação persistente, grandes déficits fiscais globais e preços elevados de ativos”, afirma Dimon.
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