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25 de novembro de 2014 - 18:08

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Apesar da praticidade, produto pode gerar descontrole se o menor de idade não tiver noções sobre limite e parcelamento

Por lei, é preciso ter 18 anos para se ter um cartão de crédito próprio. Nada impede, por outro lado, que o pai ofereça um cartão adicional ao seu para o filho menor de idade. Afinal, o produto é prático e seguro – mas educadores alertam para o risco de descontrole financeiro.

Conforme o iG apurou em agências bancárias, é possível estabelecer um limite baixo para o cartão dos filhos, com valor mínimo entre R$ 50 e R$ 200 por mês, em quatro bancos: Caixa Econômica Federal, Itaú, Banco do Brasil e Santander.

Na Caixa, por exemplo, o Cartão Adicional Mesada é anunciado como uma forma de ensinar o filho a cuidar das finanças pessoais, com limite máximo de R$ 500 e anuidade de 50% da do titular.

No Bradesco, a atendente de uma agência informou ao iG não ser possível limitar o valor mensal do cartão de crédito para a criança, que seria igual ao do responsável. Se o teto do adulto for de R$ 4 mil, esta será a quantia liberada ao menor. Questionada sobre o excesso de crédito, a funcionária sugeriu não contar à criança sobre o alto valor disponível em seu cartão.

A assessoria do Bradesco, contudo, desmentiu a orientação dada pela funcionária da agência, esclarecendo não permitir o uso de cartão de crédito adicional por menores de 16 anos. O banco disponibiliza apenas um produto de débito pré-pago para o público infantil e adolescente.

O cartão adicional pode ser boa opção para a criança, desde que se estabeleça um limite baixo, na visão do especialista em finanças pessoais Maurício Galhardo.

“Se o cartão for dado como mesada, pode ser uma forma de treinar a criança para as finanças. Caso contrário, pode ser perigoso”, diz.

Conforme o filho prove aos pais que tem habilidade para cuidar do próprio dinheiro, orienta o especialista, eles podem dar mais liberdade e aumentar o limite do crédito gradualmente.

Mas se a criança parcelar as compras no cartão, pode haver descontrole e esquecimento nos próximos meses. Por isso, a recomendação é que as compras sejam todas à vista.

Na opinião da educadora financeira Gisele Kobayashi, o cartão de crédito não é a ferramenta ideal para ensinar o menor de idade a lidar com dinheiro. “Se os adultos já têm dificuldade em controlar o uso do proprio cartão, imagine a criança”.

Não há idade ideal para começar a apresentar o produto ao filho, observam os especialistas. Dependerá da evolução do entendimento da criança sobre dinheiro e uso do crédito e da relação que os pais têm com as finanças.

Gisele explica, ainda, que a ausência de cédulas e moedas em espécie no dinheiro de plástico dificulta o entendimento da criança sobre o quanto ela pode gastar ou precisa poupar, já que o cartão exige uma noção abstrata que ela ainda não sabe adquiriu.

“Recomendo primeiro ensiná-la a guardar o dinheiro em envelopes, separando seus diferentes objetivos, e abrir uma conta poupança para ela aprender a pensar no futuro”, orienta.

Dinheiro de plástico deve substituir o papel

Para Galhardo, a substituição do dinheiro pelo cartão é um caminho sem volta não só para os adultos. Por uma questão de praticidade e segurança, a tendência é que os consumidores evitem usar moeda em espécie e deixem de fazer saques nos caixas eletrônicos.

Com isso, diz o especialista, as crianças tendem a se familiarizar, cada vez mais, com o cartão. “Já que o item é quase inevitável, o cartão de débito é uma opção mais segura, uma vez que os filhos só vão gastar o que os pais colocarem em sua conta”.

Outra vantagem do produto sobre o crédito é que o cartão de débito não cobra anuidade. Os pais podem monitorar a movimentação dos gastos do filho, por meio do extrato bancário.

Esse controle não é possível com dinheiro físico, lembra Galhardo. Mas o cartão de débito, quase sempre, exige a abertura de uma conta corrente no banco, com autorização prévia do adulto, e pode haver cobrança de taxas pelos serviços embutidos.

A preferência do brasileiro pelo crédito é latente. Em 2013, o volume de transações com cartão de débito representou pouco mais de 55% do total efetuado no cartão de crédito.

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), foram movimentados R$ 537 bilhões no crédito em 2013 (referente a transações apenas no Brasil, excluindo as compras de brasileiros no exterior), contra R$ 299 bilhões no débito.

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