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Caixa para de crescer no crédito comercial

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
18 de novembro de 2014 - 18:07

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Por: Alex Ribeiro

Depois de registrar uma forte expansão desde 2008, a carteira de crédito comercial da Caixa Econômica Federal praticamente não cresceu no terceiro trimestre, refletindo a debilidade do mercado de crédito como um todo e a estratégia do banco oficial de focar em áreas de sua vocação, como habitação e infraestrutura.

Dados do balanço do terceiro trimestre, divulgado ontem, mostram um incremento de apenas 0,08% da carteira de crédito comercial da Caixa, comparado com o segundo trimestre. No período imediatamente anterior, essa carteira tinha avançado 3,5%. Em 12 meses, o crescimento é de 15,7%, ante ritmo de 23,6% em junho.

O crédito comercial é o arroz com feijão da atuação dos bancos, e inclui linhas como empréstimos pessoais, cheque especial e capital de giro. No caso da Caixa, esse segmento era muito pequeno porque a instituição foi originalmente concebida para ser uma captadora de poupança para financiar a habitação.

A partir de 2008, a Caixa passou a crescer no crédito comercial, aproveitando o vácuo deixado pelos bancos privados, que restringiram a oferta de empréstimos após a quebra do americano Lehman Brothers. De lá para cá, sua carteira comercial saltou de R$ 21 bilhões para R$ 187 bilhões. “Cumprimos o nosso objetivo de chegar a uma fatia de mercado perto de 20%”, disse o vice-presidente de finanças da Caixa, Márcio Percival. “Agora, devemos crescer junto com os demais bancos do mercado.”

O crédito comercial do mercado como um todo praticamente não cresceu no terceiro trimestre, segundo dados do Banco Central. O período foi fraco devido à baixa demanda pelos clientes e ao menor número de dias úteis durante a Copa do Mundo.

Em fins do ano passado, a presidente Dilma Rousseff orientou a Caixa a focar mais nas suas áreas tradicionais de atuação, diante da falta de recursos públicos para garantir os níveis mínimos de capitalização para lastrear as operações de crédito. O crédito à habitação manteve um ritmo relativamente forte de expansão, com alta de 5,6% no trimestre e de 26,1% nos 12 meses até setembro. Os financiamentos de infraestrutura e saneamento aumentaram 11% no trimestre e 52,8% em 12 meses. A carteira de crédito total da Caixa cresceu 24,4% nos 12 meses até setembro e, para o ano, foi mantido o planejamento de aumentar 22%.

A Caixa registrou um lucro líquido de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre, alta de 1,7% em relação ao mesmo período de 2013. Nos nove primeiros meses do ano, o lucro soma R$ 5,3 bilhões, incremento de 5,6% em relação a período equivalente do ano passado.

Percival afirmou que o lucro foi puxado pelas receitas de operações de crédito, que somaram R$ 17,7 bilhões no trimestre, alta de 41,6% em relação ao mesmo periodo de 2013. Mas houve uma ajuda também das rendas de aplicações em títulos públicos, que cresceram 51,3% na mesma base de comparação, para R$ 8,4 bilhões, favorecidas pela elevação do juro básico.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio acumulado em 12 meses ficou em 17,79%, abaixo dos 22,11% observados no trimestre encerrado em junho.

A inadimplência, que vinha em trajetória de alta desde o início do ano, permaneceu praticamente estável. Fechou o terceiro trimestre em 2,73%, levemente abaixo dos 2,77% observados no segundo trimestre, mas acima dos 2,4% do terceiro trimestre de 2013. A justificativa é que a piora ocorreu porque o banco passou a operar mais com linhas com maior risco e retorno, como o cheque especial.

As provisões para devedores duvidosos subiram 17% entre o terceiro trimestre de 2013 e de 2014, para R$ 3,280 bilhões. “O volume de provisões acompanhou o aumento da carteira de crédito”, disse a vice-presidente de risco da Caixa, Alexsandra Camelo Braga.

O índice de Basileia cresceu dois pontos percentuais no trimestre, para 15,32%. O indicador melhorou em virtude de mudanças para a ponderação de risco feitas entre julho e agosto pelo Banco Central para algumas linhas de crédito, como o consignado, e também devido à inclusão, pelo próprio BC, de aportes de recursos feitos pelo Tesouro como capital dentro das regras de Basileia 3.

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