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Fim do modelo baseado em renda e crédito

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Valor Econômico
20 de setembro de 2026 - 12:12

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Reformas que aumentam a produtividade não costumam gerar ganhos no curto prazo

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, acha que o modelo de crescimento da economia baseado na expansão da renda e do crédito bateu no limite. Para ele, agora só há uma saída: expandir a produtividade.

Emitida em um evento do Santander, a mensagem soa como um conselho para a agenda do novo governo a ser eleito em outubro, nesses primeiros dias da campanha pela Presidência da República.

Mas, questionado pelo CEO do Santander, Gilson Finkelsztain, se poderia dar alguma sugestão aos candidatos, Galípolo ficou um passo atrás: disse que aprendeu com seus antecessores que, para garantir a independência do BC, não deve falar de assuntos fora de sua alçada.

No fim das contas, porém, não deixa ser, de forma indireta, uma prescrição. Em seu terceiro mandato, o presidente Lula replicou a estratégia de estímulo à demanda de seus mandatos anteriores, baseada em transferências de renda, aumentos reais do salário mínimo e expansão do crédito para famílias e empresas.

O ponto de Galípolo, defendido no evento do Santander, não é exatamente que essas políticas sejam sempre erradas. Ele argumenta, na verdade, que, no momento atual, em que a economia opera acima de sua capacidade, elas deixam de surtir os resultados desejados. De fato, hoje, a economia convive com juros altos e superendividamento.

Aumento da capacidade de oferta poderia, em tese, ajudar o Banco Central a reduzir as taxas de juros

O presidente do BC citou o economista John Maynard Keynes, que defendia que o governo entrasse com medidas de estímulo, mas não sem critérios. “A teoria geral de Keynes dizia que tudo isso vale para quando você está fora do pleno emprego”, disse. Quando a economia está superaquecida, acrescentou, não há razões para esse debate.

Para Galípolo, no momento atual, a estratégia para fazer a economia crescer deve vir pelo lado da oferta. “Isso será determinante para saber como vão se desdobrar os próximos anos, se vai bater num muro e ficar nesse processo de avanços e bloqueios, ou se consegue um processo mais sustentável de desenvolvimento”, disse.

Além do desenvolvimento da economia em si, a busca pela ampliação da produtividade deveria fazer parte de uma equação para resolver o problema fiscal. Não exime o país de fazer o ajuste necessário, mas, em uma economia que cresce de forma sustentável, a capacidade de lidar com um alto endividamento é mais favorável do que em uma economia pouco dinâmica.

Galípolo defendeu medidas para ampliar a produtividade, mas ficou um passo aquém de dizer quais medidas, exatamente, deveriam ser adotadas para atingir esse objetivo.

Seu foco é no médio prazo, não resolver os problemas mais imediatos da política monetária. O aumento da capacidade de oferta poderia, em tese, ajudar o Banco Central a baixar os juros, já que seria uma alternativa para lidar com o superaquecimento. Mas nada que garanta um alívio para agora: reformas que aumentam a produtividade não costumam gerar ganhos no curto prazo.

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