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01 de setembro de 2026 - 17:12

Itau-tem-desafio-de-manter-resultado-recorde-em-cenario-mais-complexo-televendas-cobranca-1

Banco atribuiu a redução das projeções para a receita de serviços à volatilidade mais forte nos mercados do que se esperava

Com um resultado no segundo trimestre sem grandes surpresas, o desafio do Itaú Unibanco agora é provar que consegue manter resultados recordes em meio a um cenário macroeconômico mais difícil. A estimativa de lucro implícita nas projeções (“guidance”) do banco para este ano se mantém inalterada – embora o crescimento esperado da receita de serviços tenha sido revisado para baixo, deve haver melhora em outros componentes do balanço.

O CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, reconheceu ontem que o contexto local e internacional impõe desafios, mas disse que a inadimplência deve ficar basicamente estável. Segundo ele, o cenário macroeconômico faz com que o banco adote um “olhar mais cauteloso”. Para o executivo, além da guerra no Irã, que gera impactos inflacionários, a economia pujante dos Estados Unidos (EUA) dá sinais de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) poderá elevar a taxa de juros.

“A gente sempre tem um olhar cauteloso para a frente, não só pelo cenário local, mas especialmente pelo cenário global”, disse. “Estamos vivendo uma guerra importante e que não termina, que afeta claramente os preços, então gera impactos inflacionários no mundo todo. E, nos Estados Unidos, a gente está vendo uma economia muito pujante, muito forte, dando sinais de que o Fed vai precisar aumentar os juros.”

Diante disso, afirmou Maluhy, é esperada uma “pressão em todo o mundo”, já que os investidores estão decidindo onde alocar seus recursos. “A gente vem de um processo de juros bastante restritivos no Brasil. A gente prefere um ambiente com juros muito mais baixos. Isso é muito mais saudável para a economia, para os bancos, para a inadimplência, para a atividade.”

Em relação ao crédito, Maluhy destacou que o comprometimento da renda das famílias permanece elevado, apesar dos programas governamentais, e que a inadimplência no mercado continua em alta. “Apesar disso, acho que a nossa estratégia ao longo dos anos tem dado resultados muito fortes. Primeiro, de posicionamento do portfólio, equilíbrio do portfólio ao longo do tempo, foco em grupos de clientes de todas as rendas mais resilientes ao longo do ciclo. Isso tem feito com que a gente tenha navegado, apesar de um momento um pouco mais desafiador, muito bem, pelo custo de crédito e pela inadimplência.”

De acordo com o executivo, com base nos indicadores atuais, não há perspectiva de deterioração da inadimplência na carteira de pessoa física. Onde o banco espera um leve aumento é em pequenas e médias empresas (PMEs), por causa do fim da carência dos programas federais. Com isso, a inadimplência em PMEs, que está em 2%, deve subir para algo perto de 2,1% no próximo trimestre e se estabilizar nesse patamar. No geral, ele disse que a inadimplência deve ficar basicamente estável, com “variações minúsculas”.

“Quando as carências vencem, o atraso começa a vir, então o numerador começa a crescer e o denominador já estava com a carteira sensibilizada. Então, ele tende a começar a subir”, explicou. “Mas é um atraso garantido. Então, o banco não vai ter a perda, por isso que ele não vira provisão. Tem atraso, mas, como tem garantia, não vira provisão. O atraso, sim, mostra esse efeito, mas é puramente mecânico. Não é um sinal, em hipótese alguma, de deterioração do portfólio, apesar de um cenário, um ambiente mais desafiador.”

Segundo o executivo, a carteira de crédito deve voltar para dentro do guidance, que prevê crescimento de 5,5% a 9,5% neste ano, depois de ter fechado o segundo trimestre com alta anual de 9,6%. “Se continuarmos no ritmo atual, devemos crescer acima do ponto médio do guidance para carteira”, afirmou.

Maluhy também disse que a alíquota efetiva de impostos do Itaú tende a ficar próxima do piso das projeções, que vão de 29,5% a 32,5%.

Na terça-feira, o Itaú revisou para baixo as estimativas para a receita de serviços. Se antes a projeção era crescimento de 5% a 9% em 2026, agora essa linha deve ter expansão de 3% a 5%. O vice-presidente financeiro do Itaú, Gabriel Moura, atribuiu a mudança à volatilidade nos mercados de capitais, maior que a esperada no início do ano.

Maluhy disse não esperar nenhuma volatilidade desproporcional motivada pelas eleições presidenciais, embora possa haver oscilações no mercado. “As pesquisas têm saído todos os dias, todo dia tem uma atualização, claramente mostra um cenário eleitoral polarizado, como a gente imaginava, mas ainda com muitas discussões nos próximos meses. Volatilidade pode, sim, acontecer, o mercado tende a antecipar perspectivas futuras e vai depender muito da comunicação dos candidatos.”

Segundo ele, a volatilidade dos mercados está relacionada especialmente à trajetória fiscal, que tem pautado boa parte das discussões. “Esse vai ser um bom debate. Qual é a visão do arcabouço? Se ele vai mudar, para quanto? Qual é o tamanho do superávit ou déficit esperado no período?”

Para analistas, o resultado do Itaú não trouxe grandes entusiasmos nem grandes decepções. A redução no guidance de receita de serviços já estava precificada e os relatórios destacam a capacidade de execução do banco. “Em meio às crescentes preocupações com as tendências de qualidade dos ativos do sistema, o banco atestou sua estratégia disciplinada de apetite ao risco implementada nos últimos trimestres, mantendo a inadimplência estável”, disse o Safra.

O Citi tem visão semelhante, mas afirmou que o desafio do Itaú será manter o crescimento de receita, não dependendo somente de disciplina nas despesas. “Como esperamos um cenário macroeconômico mais desafiador nos próximos 18 meses, o foco deve permanecer na capacidade do banco de sustentar o crescimento da receita.”

As ações preferenciais do Itaú subiram 0,67% ontem, para R$ 42,38.

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