
O rotativo do cartão cobra 432,1% ao ano e, mesmo com o teto da lei, dobra a dívida em poucos meses. Enquanto isso, 8 em cada 10 brasileiros não sabem que existe alternativa dentro de casa, segundo a ABECIP. O CEO da Avanti explica por que tanta gente paga o juro mais alto do sistema tendo patrimônio parado
Uma dívida de R$10 mil no rotativo do cartão dobra de tamanho em poucos meses, e só para de crescer porque a lei manda: desde 2024, os encargos são limitados a 100% do valor original (Lei 14.690/2023). O rotativo é o crédito que entra em ação sozinho quando a pessoa paga menos que o total da fatura do cartão: o valor que ficou pendente vira dívida na hora, com juros. A taxa média da linha era de 432,1% ao ano em abril de 2026, segundo o Banco Central, cerca de 15% ao mês. É o crédito mais caro do mercado. E é um dos mais usados: só nos três primeiros meses de 2026, os brasileiros tomaram R$109,7 bilhões nessa linha, também segundo o Banco Central.
Do outro lado está o crédito com garantia de imóvel. Nele, a pessoa usa a casa ou o apartamento como garantia, recebe o capital e continua morando no imóvel. Essa linha bateu recorde no mesmo período: R$3,166 bilhões em concessões, segundo a ABECIP, a associação das instituições de crédito imobiliário. Mesmo no recorde, é um volume 35 vezes menor que o do rotativo.
E o desconhecimento explica boa parte da distância: 8 em cada 10 brasileiros não sabem que podem usar o próprio imóvel como garantia de crédito, segundo a ABECIP. Para Luís Fernando Januário, CEO e founder da Avanti, assessoria especializada em crédito estruturado com garantia de imóvel (home equity), é aí que mora a distorção. “Não é falta de crédito. É falta de informação. A casa quitada fica parada, e a conta do mês é paga no juro mais alto do sistema.”
O tamanho do problema aparece em outro número. Em março de 2026, um levantamento divulgado pela CNN calculou que o rotativo consome R$ 758 mil em juros por minuto no Brasil.
“Vou perder a minha casa?”
É a pergunta que mais chega na Avanti, segundo o CEO. E a resposta começa desfazendo um mal-entendido. “Na prática, o imóvel continua seu e você continua usando normalmente. Segue morando nele, nada muda no dia a dia. O que existe é um registro de garantia na matrícula enquanto o contrato estiver de pé. Quitou, o registro é cancelado e a propriedade plena fica livre, no seu nome.”
O nome técnico é alienação fiduciária, prevista na Lei 9.514, de 1997: enquanto o contrato existe, a propriedade fica vinculada à instituição credora em caráter temporário, registrada na matrícula do imóvel, e o cliente mantém a posse e o uso normal do bem. Com a quitação, a propriedade plena retorna livre ao seu nome.
O risco existe, e Januário faz questão de colocá-lo na mesa. “Se a pessoa para de pagar e não renegocia, o imóvel pode ser tomado. Por isso, na Avanti, a primeira conta que fazemos é se a parcela cabe com folga no orçamento. Se não cabe, a operação não sai.”
Se custa menos, por que ninguém oferece?
“Não é má-fé do banco. Os bancos são nossos parceiros”, diz o CEO da Avanti. “É a lógica da prateleira. O cartão se oferece sozinho, na tela do celular, todos os dias. O crédito com garantia de imóvel precisa de avaliação, documento e análise. Um grita, o outro fica em silêncio.”
Há também um costume brasileiro, na avaliação dele: o crédito só entra na conversa quando o aperto já chegou. “Aqui, crédito é socorro. Lá fora, é planejamento.” Os dados sustentam a comparação: dois terços do crédito no Brasil vencem em até três anos, segundo levantamento da ClienteSA de abril de 2026. Nos mercados desenvolvidos, 70% a 80% é de longo prazo.
Isso é coisa de quem quebrou?
Lá fora, é o contrário. Nos Estados Unidos, as famílias fecharam 2025 com cerca de US$34 trilhões em valor livre de dívidas nos próprios imóveis, segundo o Federal Reserve, e algo em torno de US$11 trilhões disponíveis para virar crédito. No Reino Unido, esse mercado movimentou £ 2,3 bilhões em 2024, segundo o Equity Release Council. No Brasil, a modalidade ainda não chega a 0,1% do PIB, segundo a ABECIP. O Banco Central estima que pode chegar a 20% do PIB em vinte anos.
“É rotina de quem planeja, não recurso de quem quebrou”, resume Januário. Ele também descarta a ideia de que a operação seja só para quem ganha muito. “Na Avanti, o que pesa é o conjunto: o imóvel, o motivo do capital e o histórico da pessoa. Não é o contracheque. Por isso funciona bem para o empresário de renda variável e para a família que tem patrimônio, mas tem renda mensal apertada.”
Por que a garantia derruba o juro?
Porque juro é preço de risco. Sem garantia, quem empresta embute no preço a inadimplência de todos os clientes. Com um imóvel na operação, o risco despenca, e o custo cai junto. No Brasil, esse efeito é ainda maior: o país recupera na Justiça só 18,2% do valor das garantias, segundo estudo do Banco Mundial divulgado em outubro de 2023, e essa conta entra no juro de todo mundo.
A lei ajudou a destravar. O Marco das Garantias (Lei 14.711/2023), com regulamentação do Conselho Monetário Nacional em vigor desde julho de 2025, deixou as regras mais previsíveis e permitiu usar o mesmo imóvel em mais de uma operação. O mercado respondeu: a carteira dessa linha saiu de R$9,8 bilhões em 2018 para R$27,8 bilhões até agosto de 2025, segundo a ABECIP.
A garantia também muda o tamanho do que se destrava. No mercado, o contrato médio fica em torno de 35% do valor do imóvel, segundo a ABECIP. Na Avanti, conforme a análise e a política da instituição credora, há operações que chegam a 60% do valor de avaliação do bem.
O CEO da Avanti deixa um alerta para quem for comparar propostas. “Nunca olhe só a taxa. Olhe o CET, o custo total, que soma juros, tarifas, seguros e cartório. Duas propostas com a mesma taxa podem ter custos finais bem diferentes.”
E quem prefere ir direto ao banco?
“Pode e deve conversar com o seu banco”, responde Luis Fernando. “A diferença está no que chega até você. O balcão oferece a linha da própria casa. Nós comparamos: trabalhamos com mais de 60 instituições parceiras, e a proposta certa para um caso quase nunca é a mesma do caso seguinte.”
Na Avanti, o processo leva em média 30 dias, da análise à liberação do capital, variando com a complexidade do caso. Desde 2021, a assessoria já conduziu mais de R$500 milhões em operações, a partir de Americana (SP), atendendo o Brasil inteiro. “Não prometemos nada. Analisamos”, diz o CEO. “Se a operação não vale a pena para o cliente, dizer isso também é parte do serviço.”
As perguntas que mais chegam
As dúvidas de quem procura a Avanti se repetem, conta o CEO. Se dá para perder a casa: não, enquanto o contrato estiver em dia. Na prática, o imóvel continua seu, com posse e uso normais, e a garantia é um registro temporário na matrícula, cancelado na quitação; o risco surge se as parcelas deixarem de ser pagas e a dívida não for renegociada.
Quanto dá para captar: no mercado, o contrato médio gira em torno de 35% do valor do imóvel, segundo a ABECIP. Na Avanti, conforme a análise do caso e a política da instituição credora, há operações que chegam a 60% do valor de avaliação.
Se é só para quem tem renda alta: não. A análise olha o imóvel, o motivo do capital e o histórico, não o contracheque isolado, e cliente com restrição ativa também é analisado.
E o tempo: na Avanti, 30 dias em média, da análise à liberação. Matrícula atualizada e documentação em ordem encurtam o caminho.
A pergunta que fica
O Brasil discute juro alto há décadas. Para Januário, uma parte da resposta não depende de governo nem de banco. “O juro do cartão, você não controla. A informação sobre o que o seu patrimônio pode fazer, sim. A pergunta que deixo é simples: quanto do juro que você paga hoje só existe porque ninguém contou que havia outro caminho?”
Sobre a Avanti
A Avanti é uma assessoria especializada em crédito estruturado com garantia de imóvel (home equity), fundada em 2021 por Luis Fernando Januário, com sede em Americana (SP) e operações em todo o Brasil. Já conduziu mais de R$500 milhões em operações junto a uma rede de mais de 60 instituições financeiras parceiras. A Avanti não é banco: o crédito é concedido pelas instituições parceiras, sujeito a análise; a assessoria analisa cada caso, compara condições e conduz a operação do início ao fim.
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