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O que faço se só vejo trainees sendo promovidos?

por: Afonso Bazolli
em: Gestão
fonte: Valor Econômico
13 de agosto de 2017 - 14:00

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Por: Sofia Esteves

Após concluir a universidade nos Estados Unidos e trabalhar em um grande banco de investimento por lá, voltei ao Brasil há dois anos, recrutado por uma instituição financeira de renome. Entrei para coordenar uma unidade de negócio e estou no cargo até hoje.

Gosto do que faço, mas me incomoda ver que o banco dá extrema importância aos trainees e pouca atenção aos que, como eu, vieram do mercado. Fiquei sabendo, inclusive, que um desses jovens está sendo preparado para o cargo acima do meu, mesmo sem ter a mesma experiência, formação e conhecimentos que eu. Isso me deixou bastante desmotivado em relação ao meu futuro na organização. O que devo fazer?

Coordenador, 36 anos

Resposta:

O seu questionamento aborda um desafio atual da área de recursos humanos, que é o de transformar cada porta de entrada de profissionais na empresa em um potencial espaço de recrutamento dos futuros líderes da companhia. Uma demonstração de que a organização em que atua está enfrentando esse desafio é a sua própria contratação. Você foi selecionado mesmo morando e trabalhando em outro país, ou seja, há um investimento de tempo e dinheiro na procura por profissionais a partir de diferentes portas de entrada.

A maioria das organizações, independentemente do porte, ainda não tem qualquer ação estruturada de recrutamento de estudantes de universidades fora do país ou mesmo profissionais que atuam nos mercados externos. Elas contam apenas com a iniciativa do próprio candidato para tê-lo no seu quadro de funcionários e isso é um risco diante do cenário de competição pelos melhores profissionais.

A complexidade de ter profissionais preparados para ocupar futuros cargos de liderança aumentou, e muito, nos últimos cinco anos. Passou a exigir das áreas de recursos humanos uma variedade de estratégias que inclui o programa de trainee, mas sem apostar todas as fichas nele.

Esses programas surgiram há mais de vinte anos para atender a necessidade das empresas de formar profissionais para substituir líderes que ocupavam posições estratégicas e que no médio e longo prazo se aposentariam. Mas o cenário mudou e se tornou necessário substituir também os líderes absorvidos pela concorrência ou outros mercados.

De maneira geral, é muito positiva a contribuição que os programas de trainee trazem para as companhias. As áreas que realmente se preocupam em estabelecer métricas de acompanhamento e entrega desses jovens profissionais, além de mapear corretamente os impactos e resultados do programa, são unânimes ao afirmar que o investimento vale a pena. Muitos dos cargos de gestão considerados fundamentais para a sustentabilidade do negócio são ocupados por ex-trainees.

A carga de treinamento, acompanhamento e mentoria oferecidos potencializam alguns talentos e contribui para que alcancem cargos com uma velocidade diferente dos profissionais que ingressaram na companhia por outras portas – também fundamentais para o sucesso da organização.

É certo que contratar e reter profissionais talentosos é fundamental no atual cenário de negócios, pois são esses os colaboradores que farão a diferença em momentos de crise ou mudanças. Isso independe do cargo que eles ocupam. Hoje, a necessidade das companhias vai além dos futuros líderes e inclui também pessoas com competências técnicas que podem promover melhorias, inovações e resultados ainda mais eficientes.

Isso tudo torna mais complexa a contratação dos novos talentos. Cada empresa tem encontrado sua maneira de enfrentar esse desafio, mas a diversificação das portas de entrada e a valorização e investimento nos diferentes perfis são as que estão trazendo melhores resultados.

O ideal seria que todos os colaboradores da empresa recebessem o mesmo investimento e atenção dada aos trainees, porque talento não tem endereço único. O desafio é como tornar esse ideal uma prática, e muitas áreas de recursos humanos já estão tentando.

Esse parece ser o caso da instituição financeira em que você trabalha pela forma que você mesmo foi contratado. Por isso, não deixe de fazer a sua parte, demonstre seu interesse pela empresa, cuide do seu desenvolvimento e deixe que seus resultados mostrem que talento não tem cargo ou crachá.

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