
A inadimplência das famílias brasileiras voltou a subir em agosto, em meio à manutenção de patamar recorde de endividamento, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). As famílias de menor poder aquisitivo lideraram avanço nas parcelas de inadimplentes na pesquisa, acrescentou ainda a organização. A CNC não descartou continuidade de expansão da inadimplência nos próximos meses.
No estudo, a parcela de endividados entre julho e agosto ficou em 82%, a maior proporção na série da pesquisa, iniciada em 2010. Em agosto de 2025, a fatia de endividados era de 78,8%.
A fatia de endividados que admitiram inadimplência subiu 29,8% em julho para 29,9% em agosto. Porém, foi inferior à fatia de agosto de 2025 (30,4%). Também avançou a parcela dos que estão inadimplentes e sem condição de quitar dívida, de 12,3% em julho para 12,5% em agosto. Mesmo com avanço, a proporção foi menor do que a de agosto do ano passado (12,8%).
A fatia dos que se consideram muito endividados também subiu, de 17,1% para 17,4%, de julho para agosto. Em contrapartida, no mesmo período, houve menor parcela dos que se categorizam como pouco endividados, de 35% para 34,9%, de julho para agosto.
Na análise por faixas de renda, a CNC informou ainda que houve aumento de endividamento nos dois “extremos”: o mais baixo e o mais elevado em ganhos mensais. Em famílias com renda mensal até três salários mínimos, a fatia de endividados subiu de 84,9% para 85,1% de julho para agosto. No mesmo período, entre endividados com renda acima de dez salários mínimos, a parcela avançou de 72% para 72,3%.
No entanto, chamou atenção, no estudo, o comportamento de inadimplentes de baixa renda, de julho a agosto. A fatia dos inadimplentes com ganhos até três salários mínimos mensais foi a única que avançou, no período, entre quatro analisadas, a subir de 38,5% para 38,8%.
Em contrapartida, nas fatias de endividados que admitiram inadimplência foram observadas diminuições, de julho a agosto, nas proporções dos devedores com ganhos mensais de três a cinco salários mínimos, de 28,1% para 28%; entre os com renda mensal entre cinco e dez salários mínimos, de 21,4% para 20,3%; e nos com ganhos mensais acima de dez salários mínimos, de 15,1% para 14,9%.
Em comunicado, a confederação ponderou que os resultados comprovam que famílias tiveram menor controle de contas, mesmo com prazo maior de pagamento para dívidas. A organização não descartou continuidade de inadimplência no próximo trimestre.
“Estamos chegando ao último trimestre do mesmo jeito que começamos o ano, com recorde de endividamento e crescimento da inadimplência”, afirmou, em comunicado, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. “Lamentamos o cenário de juros elevados que reforça esse ciclo desde meados de 2025”, disse. O juro alto torna o crédito, bem como a dívida, mais caro.
Tadros mostrou-se, no entanto, otimista em relação às vendas do varejo no curto prazo, mesmo com o atual contexto, de endividamento e inadimplência.
Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, ponderou que o cenário atual tem muito a ver com dependência do crédito, do brasileiro, para compor consumo básico. Isso mantêm endividamento em patamar recorde, disse.
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