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20 de outubro de 2026 - 17:11

Busca dos brasileiros por crédito cresceu 17,1% no acumulado de 12 meses-televendas-cobranca-1

• Consumidores com renda de 1 a 2 salários mínimos lideraram a demanda por crédito, com alta de 38,8%;

• Mato Grosso (36,7%), Acre (26,5%) e Amapá (25,6%) registraram os maiores avanços entre os estados.

A busca dos brasileiros por recursos financeiros registrou crescimento de 17,1% no acumulado dos últimos 12 meses até julho, segundo o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país. Entre as faixas de renda, aqueles que recebem de 1 a 2 salários mínimos apresentaram a maior alta no período (38,8%). Na sequência apareceram os que possuem renda de até 1 salário mínimo (16,7%) e, em seguida, pessoas de 5 a 10 salários mínimos (14,8%). A faixa de 2 a 5 salários mínimos registrou retração de 0,6%. Veja, no gráfico e na tabela abaixo, o detalhamento dos dados:

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a composição da demanda segue refletindo um ambiente de crédito desafiador. “O crescimento mais intenso entre os consumidores de menor renda reforça uma dinâmica que já vínhamos observando nos últimos meses. Mesmo com o crédito mais caro e seletivo, a necessidade de acesso a recursos continua elevada entre essas famílias. Os dados ajudam a explicar esse movimento: enquanto o Banco Central mostra que o comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas permanece em patamar historicamente elevado, próximo de 29% da renda mensal, e o endividamento segue ao redor de 50% da renda acumulada em 12 meses, o estudo da Serasa revela uma pressão ainda maior sobre o orçamento das famílias quando considerados também os gastos essenciais do dia a dia.”

“Segundo o levantamento da Serasa, os brasileiros têm, em média, 74,6% da renda comprometida entre contas básicas, fatura do cartão de crédito e pagamento de dívidas. Entre os consumidores que recebem de um a dois salários mínimos, esse percentual chega a 87,8% e 87,0%, respectivamente, indicando uma margem muito limitada para absorver imprevistos ou despesas adicionais. Nesse contexto, a demanda está menos associada à expansão do consumo discricionário e mais à administração do orçamento e das despesas do dia a dia. Ao mesmo tempo, as modalidades de crédito com taxas menores vêm apresentando uma desaceleração mais acentuada na concessão, enquanto linhas rotativas, com juros significativamente mais elevados, continuam sendo acessadas por uma parcela importante da população”, explica.

Mato Grosso liderou o avanço da demanda por crédito entre os estados

Na análise por Unidades Federativas (UFs), a procura dos brasileiros por crédito apresentou crescimento em todo o país no acumulado dos últimos 12 meses até julho. Mato Grosso (36,7%) liderou o ranking nacional, seguido por Acre (26,5%) e Amapá (25,6%). Também se destacaram Rio Grande do Sul (25,4%) e Roraima (24,5%). Na outra ponta, os menores crescimentos foram observados no Distrito Federal (11,3%), São Paulo (12,8%) e Rio de Janeiro (13,3%). Confira o detalhamento estadual no gráfico abaixo:

Variação anual manteve crescimento de dois dígitos

Na comparação entre julho de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a demanda dos consumidores por crédito cresceu 16,9%. Entre as faixas de renda, aqueles com rendimento de 1 a 2 salários mínimos registraram a maior expansão (57,3%), seguidos pelos consumidores de 2 a 5 salários mínimos (10,8%). As demais faixas apresentaram retração. Confira o detalhamento dos dados no gráfico e na tabela abaixo:

Para a economista-chefe da datatech, a diferença entre as faixas de renda evidencia que a procura por crédito não avança de maneira homogênea. “A alta anual da demanda por crédito em julho reflete um movimento cada vez mais concentrado entre os consumidores de renda intermediária, especialmente na faixa de um a dois salários mínimos, que registrou crescimento de 57,3%. Esse resultado sugere que, apesar do ambiente de juros elevados e da maior seletividade na concessão, a necessidade de acesso a recursos permanece significativa entre as famílias com menor capacidade de poupança e menor margem financeira para acomodar despesas inesperadas. Em contrapartida, observamos retração da demanda entre os estratos de renda mais elevada, indicando que o avanço do indicador está menos relacionado ao consumo discricionário e mais à necessidade de administração do orçamento doméstico. Esse comportamento é consistente com um cenário em que boa parte da renda segue comprometida com despesas correntes e obrigações financeiras, reforçando o papel do crédito como instrumento de gestão do fluxo de caixa das famílias”, afirma a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.

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