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Por que o Itaú quer um banco completo nos EUA

por: Afonso Bazolli
em: Crédito
fonte: Brazil Journal
20 de outubro de 2026 - 17:12

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O Itaú obteve em agosto uma aprovação condicional do regulador americano para ter um banco nacional nos EUA – o primeiro passo para montar uma operação que busca atender uma demanda crescente da América Latina por serviços bancários naquele país.

É um clube cada vez mais crowded.

“Mais clientes, não só os do private, estão se tornando globais, com residência no exterior, filhos estudando fora. Precisam de produtos e serviços além de investimentos,” Percy Moreira, o CEO do Itaú USA, disse ao Brazil Journal.

O banco tem um escritório em Miami desde 2007, que usa para atender não-residentes em sua operação de private – suprindo com isso uma demanda basicamente por diversificação de investimentos no exterior.

Quando a licença de banco completo sair, o Itaú USA vai lançar conta corrente, emitir cartões de crédito e débito, abrir linhas de crédito – especialmente financiamento imobiliário – e, num segundo momento, oferecer seguros.

O mercado potencial na mira do Itaú são principalmente os latino-americanos que são clientes de private banks e têm US$ 1 trilhão investidos offshore, mais da metade disso nos EUA, bem como os atuais clientes do Itaú Miami que precisam dos serviços de um banco completo.

“Não vamos para o mar aberto por enquanto, mas vamos ver como a operação evolui,” disse Moreira. Abrir agências também não está nos planos.

O private do Itaú tem R$ 1,2 trilhão sob gestão, dos quais R$ 864 bilhões no Brasil e R$ 336 bilhões offshore (cerca de US$ 65 bilhões) – 75% dos recursos no exterior estão nos EUA e o restante na Europa.

A concorrência também já está cavando seu nicho, especialmente na Flórida.

O Bradesco comprou o BAC Florida Bank em 2019 para atender brasileiros de alta renda e é forte em crédito imobiliário. E o BTG Pactual concluiu em janeiro a compra do M.Y. Safra Bank e, com isso, passou a operar com licença plena nos EUA.

Além desses, o Inter obteve em junho uma autorização para abrir filiais na Flórida. E o Nubank conseguiu uma licença condicional para ter um banco nacional nos EUA, mas seu público-alvo são os 100 a 150 milhões de desbancarizados dos EUA.

Executivos de bancos atribuem a leva de autorizações a uma mudança de postura da administração Trump, que decidiu facilitar o acesso de concorrentes estrangeiros.

Para Moreira, o right to win do Itaú se deve à escala e à experiência que o banco tem no topo da pirâmide, com cerca de 30% de share nos mercado de private e alta renda no Brasil.

“Temos lugar de fala, um modelo bem estruturado que pode ser replicado nos EUA e clientes fiéis à marca não só no Brasil, mas em países onde temos presença no varejo, Chile, Uruguai e Paraguai,” disse o CEO.

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