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31 de maio de 2026 - 12:12

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Banco público cresceu 17% em 2024 e planeja inovar no resgate de pontos em programa de fidelidade

Executivo admite atraso no lançamento de cashback, mas defende competitividade

A Caixa se afastou do setor de cartões de crédito por algum tempo, mas é hora de recuperar o espaço perdido, diz o diretor-presidente desse segmento. Ele afirma já ver resultados das medidas que adotou para obter fatia desse mercado. Nisso, entra o UAU, programa de acúmulo de pontos da Caixa.

Ele admite que houve atraso em relação à concorrência no lançamento de um sistema de cashback e benefícios, mas defende que o programa não deve nada ao dos rivais.

O UAU planeja benefícios como compra de passagens de ônibus, créditos para celular e abatimento de seguros e financiamentos. A instituição também prepara o lançamento do resgate de pontos em dinheiro a partir do Pix, como adiantou a coluna.

Como a Caixa Cartões equilibra seu papel de banco público com a necessidade de sustentabilidade financeira? Quase 50% do consumo das famílias brasileiras se dá por algum meio de pagamento, sendo o cartão de crédito o principal deles. A Caixa, durante muito tempo, desacelerou sua participação nesse mercado e perdeu um market share efetivo. Estamos com uma estratégia clara de retomar esse posicionamento. Embora o momento de mercado seja mais restritivo em relação ao crédito, temos uma defasagem entre nosso potencial e participação efetiva —o que nos coloca hoje entre os players que mais crescem.

Quais as estratégias para viabilizar esse crescimento? Estamos revisitando e readequando todo o portfólio, agregando novas propostas de valor, como a plataforma UAU. No final do ano passado, lançamos o cartão Ícone, voltado ao público de alta renda —um segmento que, historicamente, não associava a Caixa à atratividade para esse perfil. Em pouco mais de quatro meses, a base desse público cresceu cinco vezes e o volume médio de faturamento do cartão dobrou.

Como estão atraindo o público de alta renda? Toda vez que se consegue agregar benefícios concretos a um produto, a tendência é que o cliente concentre ali o seu principal relacionamento. Buscamos a principalidade do cliente: que ele nos veja como parceiro de primeiro relacionamento. O programa de pontos é um dos instrumentos para isso. Os benefícios do cartão Ícone também.

As escolhas do que gera mais pontos e do que pode ser resgatado foram pensadas para aliviar o custo de vida das pessoas ou seguem uma lógica comercial? A primeira preocupação foi lançar uma plataforma em condições de competir com as existentes —não adiantaria entrar no mercado com deficiências. Feito isso, buscamos complementar as ofertas de forma diferente, atendendo expectativas que os concorrentes não atendem. A plataforma de transporte terrestre é um exemplo disso: outros programas têm viagens aéreas, mas há público que viaja entre estados de ônibus e merece ser atendido.

Há pessoas que estão no limite dos gastos essenciais e que dificilmente conseguirão fazer estratégias de acúmulo de pontos como a classe média faz. Como o UAU entra para esse público? Mais de 60% do consumo atual já se dá em plataformas digitais, as lojas físicas perdem espaço progressivamente. O gasto que o cliente faria de qualquer forma, se realizado dentro do programa, gera pontos sem custo adicional. O cliente beneficiário de programa social não vai acumular o mesmo volume de pontos que um cliente de classe média, mas isso não significa que os pontos dele valem menos. O que ele conseguir juntar, conseguirá usar. Cabe a nós ter ofertas adequadas a esse perfil.

A possibilidade de usar pontos para jogar nas loterias administradas pela Caixa foi pensada como um contraponto às bets? Não. O cliente poderá usar os pontos para pagar qualquer conta, da forma que preferir. O dinheiro é dele e ele tem total liberdade para usá-lo. O que p recisamos é ter o máximo de ofertas possível dentro da plataforma para que o cliente enxergue cada vez mais valor e nos tenha como parceiro de primeiro relacionamento.

Raio-X

Márcio Recalde, 58

1967, Porto Murtinho-MS. É funcionário da Caixa desde 1989, onde tornou-se especialista em meios eletrônicos de pagamentos e mercado financeiro. Lá, atuou como superintendente nacional de agronegócios e diretor executivo da Decar (Diretoria de Cartões e Meios de Pagamentos Eletrônicos) de 2016 a 2019. No mercado, atuou na Cartão BRB S.A, como diretor executivo de negócios, operações, produtos e cobrança e como diretor-presidente, de 2019 a 2022. Desde 21 de agosto de 2025, responde efetivamente pela presidência da Caixa Cartões.

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