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01 de outubro de 2026 - 17:12

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Fontes do setor minimizam questão do risco moral e dizem que maior preocupação é mesmo com impacto fiscal para o governo

O novo programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo, batizado de Desenrola 3, tem um cronograma apertado. O desenho foi feito em poucas semanas e diversos detalhes operacionais ainda precisam ser decididos, sendo que a meta é fazer o primeiro leilão já em novembro. Ainda assim, a visão dos bancos é positiva. Fontes do setor minimizam a questão do chamado risco moral e dizem que a maior preocupação é mesmo com o impacto fiscal para o governo.

A medida prevê a aquisição de carteiras de créditos referentes a dívidas de pessoas físicas que estejam inadimplidas há mais de 720 dias e menos de 1.645 dias (dois anos a quatro anos e meio), contados a partir de 25 de setembro de 2026. O valor original de cada dívida deve ser de até R$ 10 mil. O governo quer atingir principalmente dívidas de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e de crédito pessoal sem consignação em folha. De acordo com fontes da indústria, esses dívidas, entre os clientes elegíveis, somam algo entre R$ 125 bilhões e R$ 130 bilhões.

Também entrarão débitos não bancários, como aqueles “com prestadores de serviços públicos e de utilidade pública, de comércio varejista e de prestadores de serviço em geral”. Esses débitos devem somar cerca de R$ 20 bilhões, chegando assim ao total de R$ 150 bilhões anunciado pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

Como os bancos costumam vender carteiras vencidas, já têm as esteiras prontas e a parte operacional, do lado deles, é fácil de resolver. “Vai depender do lado operacional do governo”, comenta um executivo do setor. Reuniões técnicas devem ser realizadas semanalmente para resolver as questões pendentes. Outra fonte lembra que o Tesouro tem expertise em realizar leilões, e que ainda poderia ser aproveitada, de alguma forma, a plataforma que a B3 desenvolveu para a primeira versão do Desenrola, que também envolvia uma espécie de leilão, em que o cliente usava o aplicativo da carteira de trabalho, a CTPS, para pedir uma renegociação, e recebia propostas dos bancos interessados.

Uma das fontes citadas acima aponta que, com o cenário de juros elevados, gestoras e fundos especializados em comprar dívidas vencidas diminuíram um pouco a atuação este ano. Assim, ter esse demanda garantida do governo, de até R$ 150 bilhões, é positivo para os bancos. “A proposta não é ruim, na verdade é até mais simples e melhor que as edições anteriores do Desenrola.”

Ao mesmo tempo, o setor, que nas edições anteriores alertou para o risco moral de fazer uma série de rodadas de renegociação – ou seja, a possibilidade de o cliente não pagar as dívidas e sempre esperar o próximo programa -, desta vez moderou as críticas. Eles apontam que os bancos já fazem normalmente a venda de carteiras, e também realizam rodadas frequentes de renegociação com os clientes, com “feirões” limpa nome. Além disso, há um sentimento de que, de fato, o cenário atual de níveis recordes de endividamento das famílias é muito complexo e que algo precisa ser feito. “Só temos de tomar cuidado, na definição dos detalhes que faltam, para fazer tudo direitinho, com calma, e não sermos engolfados em um programa que pode ser visto como eleitoreiro.”

A MP do novo Desenrola diz que o Ministério da Fazenda poderá contratar Banco do Brasil (BB) ou Caixa para estruturar o fundo por meio do qual os créditos serão comprados, e também administrar as carteiras. As dívidas serão reestruturadas – e não canceladas, como chegou a ser aventado -, o que também poderá ser feito por BB e Caixa. O BB é dono da Ativos, empresa especializada na compra e administração de carteiras vencidas. “É preciso ver como vai ser feita essa cobrança. Isso não vai para o balanço de BB e Caixa, eles devem fazer só a gestão da carteira”, diz um interlocutor.

A expectativa é que o governo comece com o leilão para compra de dívidas de cartão de crédito e empréstimo pessoal em novembro e, na sequência, vá fazendo outros certames temáticos, ou seja, por tipo de dívida. No caso de débitos não bancários, o mercado é menos desenvolvido e menos líquido, então pode ser mais difícil operacionalizar e, depois, gerir essa carteira.

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